
Não há como falar de Jimmy Corrigan sem antes comentar, positivamente, sobre a Companhia das Letras. A editora tem trazido para o Brasil alguns dos maiores lançamentos do exterior. Retalhos, autobiografia de Craig Thompson, Persepólis, a aclamada série da irariana Marjane Satrapi e mais recentemente, Scott Pilgrim, de Bryan Lee O’Malley. Apesar de muitos desses quadrinhos já terem dado as caras há certo tempo lá fora, se não fosse pela Companhia, talvez não devêssemos ter acesso a eles agora. E se tivessemos, não sei se seria com tamanha qualidade, tanto quanto a atenção oferecida à tradução, quanto à parte estética e gráfica.
Vi em Jimmy Corrigan uma das melhores obras literárias já produzidas pelo homem, no caso, o dono da façanha é Chris Ware, mestre na exploração de temas pouco convencionais, muitas vezes incômodos, como o isolamento social e o tormento emocional. O roteirista e cartunista emprega com perfeição o silêncio em seus quadros, de cores desoladoras. O silêncio e o desamparo pertencem a Jimmy, que não passa de alguém com meia-idade, sem graça e que certamente você não gostaria de ter por perto.
Jimmy Corrigan é (quase) tudo, menos o menino mais esperto do mundo. Ele é alguém que vive conflitos mal resolvidos com sua família, que aqui se mostra nas pessoas de um pai ausente, uma mãe superprotetora e uma meia-irmã. Mais do que ter de lidar com tais situações, Jimmy tem de lidar consigo mesmo, com seus pensamentos, que se perdem em divagações infantis. Não raros são os momentos em que o protagonista traz à tona a imagem de um herói.
O livro tem muitas das mais belas ilustrações que você poderá ver, tanto por suas cores, como já disse, desoladoras, como por sua qualidade gráfica, de autenticidade ímpar. A narrativa, a princípio, soa confusa, mas depois de certo tempo flui de forma impressionante, a ponto de te prender por mais tempo do que você acha que deveria ficar com aquele livro nas mãos. E é essa mesma narrativa que faz com que o silêncio seja quase que inteiramente reconfortante, tanto para Jimmy, quanto para quem o lê.
Não espere por coerência, ou mesmo por um texto corrido, padrão. Chris Ware se apresenta como um mestre na arte de contar uma história sem fluxo definido, mas que se encaixa com perfeição mais à frente. E nem pense em baixar Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo, pois sua experiência se reduzirá a zero se você deixar de adquirí-lo da forma como deve, comprando um exemplar de qualidade, estética e autoral, praticamente únicas.


Cara, esse livro é uma verdadeira obra prima! Já li e recomendo muito para qualquer admirador da 9ª arte.
[...] falei sobre Jimmy Corrigan, havia elogiado o trabalho da Companhia das Letras com os quadrinhos, afinal, ela tem trazido para [...]
[...] além da sua proposta inicial. Obras como Sandman, Watchmen, Gen Pés Descalços, Asterios Polyp ou Jimmy Corrigan nos surpreenderam em termos de temática, roteiro e desenho. HQs já tem um espaço de destaque em [...]
Estou adorando ler, mas é bastante triste, não consigo ler muito por dia…
O único defeito (não sei se da minha visão ou do livro) são as letras pequenas, muito pequenas.