
Desde sua formalização, o campo do design tem se dividido em dois grandes polos: de um lado, aqueles que privilegiam a função em detrimento da forma a partir da noção modernista de que a forma segue a função; do outro lado, aqueles que entendem o design como um tipo de arte e exigem toda a liberdade que arte toma para si. Os debates são calorosos e, de certa forma, é uma modalidade do velho dilema entre objetivo vs. subjetivo, racional vs. emocional, técnico vs. artístico, etc.
Mas e se essa polarização for uma grande bobagem? E se não existir lados? Ou, como diria o moleque budista para Neo, se não existir a colher? Ao contemplarmos forma e função como um único elemento onde forma é função & função é forma, abrem-se portas para novas maneiras de se pensar o design.
Pra mim é muito claro que Steve Jobs sempre soube que a colher não existe. O seu tão falado iPad é uma das provas que Jobs está além dessa dicotomia simplista. Ser esteticamente belo e possuir um hardware robusto não é exclusividade do iPad (o HP Slate está aí para provar isso). O seu grande diferencial é aquilo que fez do iPhone o celular mais infrutiferamente clonado da história: o sistema operacional.
Como a maioria dos produtos da Apple, a alma do iPad está na simplicidade e elegância do seu OS. Ao passo em que veremos dezenas (ou centenas?) de clones surgirem no mercado com versões capadas do Windows e do Linux , o iPad possui um OS especificamente projetado e otimizado para funcionar com seu hardware através de uma interface multi-touch. Esse é o momento em que a forma torna-se função e vice-versa.
Por sua vez, o Windows é um OS projetado para ser usado com um mouse. Ao remover o mouse do Windows e adicionar funções multi-touch sem uma revolução brutal na interface gráfica, a Microsoft mostra-se caolha quando o assunto é design, ela tenta usar o poder da mente para entortar uma colher que não existe. Enfiar um Windows 7 num tablet e vendê-lo como concorrente do iPad é uma forma de enganar o consumidor, que só descobrirá o tamanho do abacaxi que comprou quando tentar dar um mouse-over num botão do Windows sem mouse nenhum.
A lição que a Apple tem para oferecer para os designers é muito simples: nunca projete pela metade; nunca pense num único aspecto do projeto; nunca priorize apenas a função ou apenas a forma; design não é nem um nem outro; design é o amálgama complexo das relações entre esses elementos. Em outras palavras, o design não entorta colheres. Estas nem existem.


O Windows 7 tem funcionalidades multi-touch, não? Vide vídeos do Windows 7 rodando no HP Touchsmart. .-. Claro, não foi projetado exclusivamente para rodar em plataformas multi-touch, como o iPhone ou o iPad, mas digamos que a Microsoft já se adiantou um pouco adicionando essa capacidade ao Windows 7.
Bom, gosto muito do Tarja Preta, achei esse tópico meio sem fundamentos, pois como você disse “nunca pense num único aspecto do projeto; nunca priorize apenas a função ou apenas a forma;” e isso é design realmente, o designer que pensa só na forma é um artista e não um designer e o designer que pensa só na função é um engenheiro ou algo que o valha, enfim, não um designer.
Alexandre — O Windows 7 até aceita funcionalidades multitouch, mas nesse post eu me referi especificamente à UI (user interface, ou seja, interface gráfica). A UI do Windows 7 é totalmente voltada para o uso de mouse.
Lucas — Estranho você achar o tópico sem fundamento, pois aparentemente concordamos em tudo o que você citou.
Abraço a todos
Falou Tudo rapaz.
Não sei se concordo…. Não sei se é o caso, mas vejo Designers vestindo camisa pela Aple como se tudo fosse maravilhoso.
Virou clichê: – Aple é melhor que Microsoft.
– Mac é melhor que PC
– Pacote Adobe é melhor que todos os outros no mundo e quem usa, sei lá, Corel, está desatualizado…
Não to dizendo que a Aple é ruim ou Microsoft, ou Adobe, ou Corel… Mas vejo que isso já está se transformando num puta clichê no mundo do design, o senso comum mesmo… Tipo gostar de futebol mas odiar o Corinthians…