
Eu estava lendo a versão impressa do jornal Rio Destak e em uma das matérias me deparei com a notícia de que o desenhista brasileiro Eddy Barrows será o ilustrador da revista Superman a partir da edição 700. É sempre muito bom ver desenhistas nacionais que chegam ao topo na indústria de quadrinhos estadunidenses, como o caso do paulista Roger Cruz (com os X-Men) e, mais proeminentemente, do paraibano Mike Deodato Jr (com Hulk). Aí o leitor que não é familiarizado com esses artistas pode pensar: Peraí, Eddy Barrows, Roger Cruz e Mike Deodato Jr são brasileiros? Com esses nomes?
É extremamente comum que artistas nacionais que buscam trabalho em grandes editoras americanas como a Marvel e a DC criem nomes artísticos que soem mais “americanos” que seus nomes de batismo. Nunca tive certeza dos motivos pelos quais esses artistas faziam isso, mas sempre tive a hipótese que essa era uma maneira de se misturar aos artistas americanos e esconder sua origem latina.
Enfim, na entrevista concedida à Rio Destak, Eddy Barrows — na verdade, o paraense Eduardo Barros (!) — confirma essa hipótese ao afirmar que “havia desconfiança das editoras por parte dos artistas latinos”. É realmente assustador (e vergonhoso) que o mercado americano de quadrinhos seja míope a ponto de fazer grandes artistas como Rogério da Cruz Kuroda e Deodato Taumaturgo Borges Filho precisarem se refugiar em codinomes a fim de sobreviver à xenofobia.
Em retaliação, seria lindo ver a Panini brasileira referir-se a Joe Shuster (o pai do Homem de Aço) como José Chusteriano ou qualquer outra coisa igualmente tosca.


Em uma entrevista, do Roger Cruz ou do Deodato, não lembro qual mas era de um destes artistas que já tinha um certo tempo de Marvel, foi levantada que a razão principal era realmente uma certa xenofobia do público do início dos anos 90.
Pouca gente de fora tinha feito sucesso nos EUA, como o canadense John Byrne (e o Canadá quase nem conta) ou a revolução inglesa na DC (Moore, Gaiman…), assim, os editores e os agenciadores dos artistas meio que impunham um nome americanizado, especialmente pra quem tinha o nome mais diferente (pouco importando a origem).
Sorte que, atualmente, o público americano está um pouco mais maduro, e vemos um Renato Guedes em destaque nos créditos de Superman.
Realmente há até a sugestão por parte de agentes para se adotar um nome artistíco. Mas como o Felipe Pinheiro disse, hoje temos Renato Guedes, Wilson Magalhães e Ivan Reis saindo com seus verdadeiros nomes…
É meio absurdo isso mesmo. Mas não é nenhuma novidade. Não só com os quadrinhos mas com tudo latino é assim. Se bem que o Eddy Barrows ficou engraçado.
Todo aquele que procurar pelo Mike deodato ou Eddy Barrows irá descobrir que eles são brasileiros. O problema dos nomes é a pronúncia. Olhem só o nome do deodato, a assinatura dele como Mike fica legal. Joe Bennet era JOSE BENÈ no Brasil. Antes dele já tinham o JOsÉ luiz Garcia Lopez, Chamado de Garcia Lopez, mas o problema da pronuncia continuaria. A verdade é que os quadrinhos vendem mais lá fora e é para lá que eles trabalham. Acho que a culpa de mudar o nome era dos Agentes, para deixar o nomes deles mais comercial. Como nas bandas de música… Atualmente nome brasileiro é bom, pois o melhor desenhista de heróis do mundo foi um brasileiro e eles o idolatram.