28abr Rodrigo Gaiao

Irvine Welsh

 

irvine welsh; trainspotting;

Irvine Welsh? A forma mais óbvia de trazer à tona quem diabos é esse cara é citando “Choose life. Choose a job. Choose a carreer. Choose a family”. Não chegou? Trainspotting é a resposta. Esqueçam um pouco a associação imediata “Trainspotting = Danny Boyle” – acrescento que a adaptação que Boyle fez foi genial – e abram espaço pro escocês acima que continua produzindo obras tão boas quanto, superando, assim, a síndrome atual dos que permanecem em um único livro.


Welsh lançou Trainspotting em 1992, seu primeiro livro e, de longe, o mais famoso. Desde então mais 9 foram lançados – destaque para Glue, The Acid House (que também conta com uma adaptação para o cinema), Ecstasy e Porno – deixando claro que tem a manha de sair do óbvio mesmo abordando sempre a mesma temática: a contestação das “regras” sociais, as bizarrices e segredos da vida particular, sexo e drogas. Na minha opinião, a palavra que melhor o define é visceral.

Da forma mais cômica e depressiva (?) possível, ele mostra que de perto ninguém é normal. Pra mim, ele desligou o filtro que faz com que muitos tenham medo de revelar seus segredos mais bizarros, aqueles que só você sabe. A parte mais animal do indivíduo e, dentro da perspectiva dele, muitas vezes a mais espontânea  é a que fica mais evidenciada em suas obras. À partir disso Welsh me fez questionar se o que define nossos comportamentos são os nossos desejos ou o que resta quando excluímos os desejos que são rejeitados pela nossa vergonha, nossos segredos.

Para os que curtiram muito Trainspotting, mas não sabiam da existência dele, a minha dica é o livro Porno (2002). Nele, os mesmos personagens do maior sucesso de Irvine Welsh (Renton, Sick Boy, Begbie e Spud) se reencontram 10 anos depois e resolvem montar uma produtora pornô. Hilário, seco e espontâneo, e é daqueles que te mantém preso por horas.



 

7 comentários para “Irvine Welsh”

  1. Isso que eu chamo de um cara FODA!

  2. Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by tarjapreta_org: Irvine Welsh no Tarja, estreando a nova categoria, books: http://bit.ly/bd4EyI...

  3. Bruna. disse:

    Aee, gostei de ver!!!
    tava na hora do tarja dar indicações de livros!
    o filme trainspotting é muito massa (pra nao dizer do caralho)!!

    fiquei sabendo da existencia de irvine welsh a pouco tempo, e sem duvida ele está agora na minha lista de “preciso ler nesse ano”.

  4. Celso disse:

    Boa dica. Vou procurar saber.
    Trainspotting é uma realização de bom.

  5. Rodrigo Gaiao disse:

    Errata: Trainspotting foi lançado em 1993!

  6. Deia disse:

    A comédia é a forma mais sincera e pura da tristeza. Engraçado como estão sempre associadas. Os melhores palhaços são sempre os mais melancólicos… Se ele consegue ser tão rápido e áspero quanto é o texto do roteiro de trainspotting, ruim não poderia ser. Um cara que eu adoro que tem todo um jeito próprio de fazer essa crítica e também é mestre em transformar tragédias em piadas é o Nick Hornby, que está, aliás, cada dia mais roteirista que escritor. O “An education”, na minha opinião, é uma pérola…
    Autor e dica super anotados!

  7. j. disse:

    gostei muito da pagina.sempre achei que trainspotting é um romance que trata das escolhas, ki acho uma questão fundamental.o renton, no trecho ki c citou, parece se encaixar na definição que uma certa filósofa faz do niilista:aquele que põe a negação no cerne da existência e se recusa a assumir um projeto de maneira positiva.a diferença é ki a tal autora diz que a raiva ki o niilista tem do mundo pode se transformar em uma vontade de destruição do mesmo, enquanto ki no caso de renton a destruição é introjetada…sei lá, fikei achando ki é uma leitura possível.quanto ao resto, acho incrível a capacidade que welsh tem de transpor de maneira fidedigna sentimentos tão densos pros personagens, mesmo ki eu ache os mesmos meio lineares, previsíveis.

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