
Talvez o canivete suíço tenha sido o primeiro gadget multi-uso da história. Quem já teve um sabe qual é a principal consequência de se embutir num único objeto tantas funções distintas: nada funciona perfeitamente. Algumas funções funcionam melhor que outras e, normalmente, a melhor função é aquela que sustenta conceitualmente o objeto; no caso do canivete suíço, o canivete em si.
Hoje o que temos são telefones/computadores suíços no bolso de todo cidadão com algum poder aquisitivo. Cada um desses gadgets promete zilhões de funções. Mas quais as principais funções que sustentam um gadget? O que você carrega no bolso é um celular que tenta ser computador ou um computador que tenta ser celular?
A resposta para essa pergunta encontra reflexo na política de duas empresas muito distintas, a Nokia e a Apple. A forma como essas empresas abordam o design de seus produtos é oposta em princípio, mas com um objetivo em comum: integrar uma nova faceta àquilo que elas fazem de melhor. Já fui usuário da Nokia por muitos anos e hoje levo um iPhone no bolso. Pra mim é muito claro que a Nokia entende tanto de computador quanto a Apple entende de telefone. E a Apple sabe disso; taí o motivo pelo qual Steve Jobs nunca se mostrou interessado em lançar um celular da Apple que não se enquadre na categoria smartphone.
Os rumores toscos de um iPhone Nano ou iPhone Mini nunca se concretizaram. A Apple prefere focar naquilo que ela faz de melhor: computadores.
A Nokia, por outro lado, enquanto continua oferecendo alguns dos melhores telefones celulares do mercado, desenvolve smartphones que parecem mais telefones grandões que mini-computadores. E não dá para culpá-la — afinal, é isso que a Nokia sabe fazer: telefones.
A empresa finlandesa tem suado para embutir em seus smartphones o feeling de se estar usando um computador, mas o sistema operacional da Nokia, o Symbian, simplemente tem cara de telefone. Quando a pessoa liga um iPhone pela primeira vez é apresentada a uma interface na qual claramente o aspecto “telefone” é suprimido pelo aspecto “computador portátil”; no entanto, ao ligar um Nokia E63, por exemplo, a pessoa pensa: “OK, é um telefone.”
É bem verdade que a Nokia está tentando mudar isso com a versão mais nova do seu sistema operacional, mas os primeiros comentários sobre o Symbian^3 não são lá muito animadores.
Em resumo, enquanto a Apple tenta não focar no “phone” do iPhone, sempre priorizando o fato do seu produto ser um computador móvel, a Nokia — embora ainda foque no aspecto “telefone” — está começando a fazer o mesmo, mas com o know-how de uma empresa que nunca fabricou um único computador. Para o cliente, resta fazer uma única pergunta a si mesmo: por quais motivos estou comprando um smartphone ao invés de um celular convencional? A resposta para tal pergunta responde qual celular suíço ele deverá carregar no bolso.


Concordo, mas acho que se todas as empresas tentassem mudar o celular para um tipo de computador portátil ou fizessem computadores que parecem celulares não teria graça porque nem todas as pessoas gostam de um tanto quanto de outro. Eu queria um smartphone porque sei que eles tem acesso à internet e por isso eu poderia ficar de olho no meu blog mesmo quando não estou em casa, mas fora isso, acho que posso ter um celular normal daqueles que só liga ou recebe chamadas…
=1
Eu concorda totalmente com a teoria do canivete suiço. É fato que todos querem embutir um monte de buginganga em celulares e afins e no final fica um lixão. Prefiro um aparelho com menos funções mas que sejam bem exploradas e encaixadas dentro do contexto e conceito do aparelho