
Sabe quando um personagem perde o controle de si mesmo e começa a agir como se fosse o dono do mundo, aí precisa aparecer alguém que lhe dê um tapa na cara para que ele possa retomar os sentidos e voltar a pensar com clareza? O texto de hoje é sobre isso.
A comunidade de designers brasileiros está pegando fogo desde que a marca da Copa do Mundo de 2014 foi anunciada. De início, três questões que envolvem o logotipo escolhido deixaram nossos designers em choque:
1) aparentemente foi feita por um francês
Em relação à nacionalidade do designer da marca, há muita informação desencontrada. Alguns sites não informam quem foi o criador da marca, outros atribuem a criação ao francês Richard A. Buchel (que tem um histórico com a FIFA) e ainda há quem sugira que trata-se do trabalho de uma agência brasileira. No entanto, provavelmente só saberemos da verdade quando a marca for apresentada oficialmente no final da Copa do Mundo da Africa do Sul.
De qualquer maneira, considero a nacionalidade do autor absolutamente irrelevante, já que o processo de escolha da marca se deu por meio de um concurso internacional organizado pela ADG Brasil — o que indica que nenhum país foi privilegiado; o fato do autor poder ter sido um francês apenas adiciona um tempero irônico não-intencional à questão. Imagina se o nome dele fosse Zidane.
2) Ivete Sangalo e Paulo Coelho ajudaram a escolher
Durante o processo de seleção, aparentemente um punhado de marcas pré-selecionadas foram apresentadas a sete pessoas: Ricardo Teixeira e Jérôme Valcke (representando os clientes), Oscar Niemeyer e Hans Donner (representando os designers), Paulo Coelho, Gisele Bündchen e Ivete Sangalo (representando o público leigo). A verdade, porém, é que muito provavelmente uma grande equipe de designers da ADG foi responsável por filtrar 95% das marcas inscritas. O papel desses sete “notáveis” teria sido apenas o de escolher qual das finalistas seria a vencedora.
No entanto, o fato de Paulo Coelho, Gisele Bündchen e Ivete Sangalo fazerem parte do corpo de jurados virou motivo de ódio e chacota entre designers. Infelizmente, esses designers esquecem que criticar isso é ignorar o valor que a opinião leiga tem; é subir num pedestal de cristal e acreditar que seu conhecimento técnico deve passar por cima do gosto popular. Esse tipo de lógica é muitíssimo frequente entre designers que acreditam que uma das funções do design é educar seu público, afinal, o público é uma massa de pessoas ignorantes e nós somos designers semi-deuses.
Essa mesma lógica encontra eco na terceira reclamação principal da comunidade brasileira de designers:
3) o design da marca não representa o tal “bom design”
Minha primeira resposta para essa reclamação é: e daí?
Antes de continuar, peço permissão para me alongar um pouco no texto… quem quiser entender por que a marca da Copa do Mundo de 2014 é um belíssimo exemplo de como pensar o design no século XXI, pode continuar lendo — e quem já está babando de ódio a ponto de não conseguir prosseguir a leitura, pode voltar para página principal do nosso amado Tarja Preta.
Em primeiro lugar, que diabos é esse tal de “bom design”? Essa é a expressão frequentemente usada pelos designers para aludir a um tipo de design oriundo da primeira metade do século XX. Uma forma de pensar o design que, de certa maneira, fundou o design moderno e buscou legitimá-lo enquanto conhecimento técnico. Trata-se de uma série de procedimentos e técnicas baseadas em um corpo de conhecimento muito específico (psicologia da Gestalt, estudos da cognição, etc.). Na prática, esse “bom design” se traduz em metodologias rígidas que privilegiam coisas como clareza, objetividade e simplicidade e abominam coisas como adornos, expressividade e caráter autoral. Em outras palavras, era um design que acreditava que o profissional designer deveria separar objetividade e conhecimento técnico de subjetividade e gosto pessoal — como se fosse possível fazer isso.
A partir de meados do século XX as ciências passaram por uma espécie de crise onde essa crença da separação entre eu científico e eu pessoal (chamada então de positivismo) foi duramente questionada. Revelou-se, assim, o aspecto frágil e o caráter narrativo do discurso científico. Algumas ciências mais tradicionais foram muito pouco afetadas por essa crise , outras foram totalmente reformuladas, no entanto, é óbvio que aquelas que mais sofreram foram as recém-nascidas ciências humanas e aqueles campos do conhecimento ainda em fase embrionária (como o design, o marketing, a publicidade).
É exatamente nesse período em que surge no design a Escola de Ulm como uma forma de reafirmar o caráter científico, sério e positivista do design. Em outras palavras, ao invés de tentar lidar com os efeitos da crise, a Escola de Ulm ergue-se e diz: “Essa crise é só uma marolinha.”
O resultado que temos hoje é uma maioria de designers que ainda acreditam num modo de pensar típico do século XIX, onde um dos pilares fundamentais era exatamente essa fantasiosa separação do saber técnico-científico do gosto pessoal.
No Brasil essa questão é ainda mais sensível, pois o pai do nosso design moderno é filho direto da Escola de Ulm e atende pelo nome de Alexandre Wöllner — o mesmo Wöllner que disse que esse logotipo de 2014 é um “ato de vergonha”. Na década de 50 o paulistano Alexandre Wöllner fez um cursinho de design na Escola de Ulm e trouxe para o Brasil o conceito de “bom design”, um design pré-formatado e de sabor suíço-alemão. Assim, aproveitando os anos de ouro do governo JK, Wöllner foi uma das peças centrais na formação da ESDI, o primeiro curso superior de design no Brasil e um dos mais importantes até hoje.
Então, muito rapidamente esse design suíço-alemão extremamente voltado a questões técnicas de cunho científico duvidoso e uma estética formalista que visa uma suposta “pureza” da forma dominou o ensino do design em nosso país. Trata-se de um design que toma para si a função de educar seu público; de ensinar as pessoas o que é o design “correto”, o “bom design” — um design que dança no limiar entre a austeridade e a arrogância.
O “mau design”
Paralelamente a essa versão germânica e oligárquica do design, países como Inglaterra e Estados Unidos negavam sistematicamente o rótulo de “bom design” e as rígidas metodologias oriundas dessa forma de pensar o campo em prol de um design mais expressivo e voltado às artes. No fim do século XX esse design mais livre seria chamado de pós-moderno — a versão Bizarro do design modernista suíço-alemão.
O pós-moderno infiltra-se no design do final do século XX e início do XXI a partir de designers como David Carson, Michael Bierut, Paula Scher e Stefan Sagmeister. O pós-moderno trata-se de uma tentativa de lidar com o caos fazendo uso do próprio caos — como uma espécie de vacina que imuniza do vírus implantando parte do próprio vírus no corpo.
Concluindo: o tapa na cara
Quando a marca da nossa Copa do Mundo foi escolhida, ficou claro para todo e qualquer designer brasileiro que o design vencedor não tinha nada a ver com a cara do design formalista que estamos acostumados a engolir nos cursinhos e graduações na área Brasil a fora. De certa maneira, o suposto francês e Ivete Sangalo deram um belo tapa na cara do designer brasileiro acostumado a abordar seus logotipos em termos puramente técnicos — como se esse corpo de técnicas representassem uma verdade absoluta quando, na verdade, representa somente uma maneira (entre muitas) de se fazer design.
Trata-se de um tapa que expõe o vergonhoso fato que o tal design brasileiro é muito mais suíço-alemão que brasileiro — e que, talvez, um francês tenha mais brasilidade que nossos designers. E que esse tapa sirva para acordar-lhes para o fato de que há uma vasta gama de modos de se pensar o campo e que ao invés de sermos refletores de uma verdade universal, somos pequenos fragmentos de uma verdade cotidiana.
Vida longa à arte, à expressividade, à autoria e ao “mau design”.


Nossa, adorei a aula de teoria do design! Não sabia que vocês tinham problemas com o maldito positivismo também, ô praga! Se fossem notáveis por notáveis, preferiria trocar algum deles pelo Lula, não faria mais sentido? Ou seria demasiado político?
Enquanto muita gente se lança a analisar filmes, animações e games com visões tecnicistas, sempre achei um diferencial do Tarja que todos aqui expõe, em meio a análises pseudo-técnicas (mesmo sem formações em cinema, etc, todo mundo aqui é calejado com anos e anos de cultura pop e podemos arriscar uma crítica ou outra sobre atuações ou iluminação) o que realmente sentiram sobre a obra.
É nesta troca de sentimentos, de espectadores (nós) para espectadores (vocês), que reside minha admiração pelo trabalho dos meus nobres colegas.
E então, vem o Bruno (vulgo @IlustreBOB) e reinventa nossa dinâmica. Enquanto especialistas e pseudo-especialistas fazem birra contra o Logotipo, sem explicar os porquês, só porque “é feio, não é brasileiro, o Paulo Coelho aprovou” (esta última, birra minha), o Bruno é preciso, cirúrgico, técnico.
Quer ter opiniões pessoais? Tens todo direito, mas não as disfarce de opiniões técnicas. Diga que achou o logo feio, que é a cara do Chico Xavier, que representa a roubalheira da CBF…faça chacota a vontade, mas, se disser que está analisando profissionalmente, faça profissionalmente.
Quanto todo mundo é racional, o Tarja é reflexivo. Quando todos os outros são irracionais, o Tarja é racional. Cultura pop para não óbvios, em um belíssimo texto do Bruno.
Salve Bruno,
Estou acompanhando a discussão sobre a logo na lista DG´s e vejo o quanto é fechada a cabeça dos designers nacionais a colocação de um novo ponto de vista como o seu. Não sei se por medo de acharem que não sabem nada de design ou se é medo de perceber o quão vasto é esse campo e as diversas formas que temos para analisar a mesma questão.
Eu particularmente vejo as coisas semelhante a você, tento questionar toda a informação para chegar a minha percepção sobre as coisas e não a percepção de quem me passa a informação.
O que me impressiona nessa discussão toda levantada pela logo e sobre o positivismo é que basta uma tarde pesquisando design por região do mundo que você consegue ter uma idéia bem clara de quanto pode ser diferente a percepção de design pelos 4 cantos da Terra.
[]s,
Rumo ao Hexa !!
Rodrigo.
Excelente texto. O logo continua feio, mas ao menos embasado.
sinceramente não acho que uma explicação partidária e sobre a evolução do design brasileiro, venha a servir de embasamento para a concepção dessa marca.
O fato é que o design brasileiro realmente não tem uma identidade nacional, mas isso vai além da escola de Ulm e do pós-modernismo. A diversidade cultural brasileira e suas diversar formas de expressão, fazem com que o cenário nacional seja muito complexo e diversificado. Uma Identidade visual feita no sul e para o sul do Brasil pode não agradar ao norte, não por ter sido “mal feita” mas por não fazer parte do repertório visual de tal região.
Pessoalmente acho a marca feia, fato! E segundo o meu ponto de vista não tem uma representatividade nacional, salvo as cores verde e amarelas poderia ser aplicada genericamente em vários outros países. E esse fato sim incomoda.
Mas somos brasileiros, e como é de costume reclamaremos e muuuuito ainda! Mas na hora da copa o bairrismos vem a tona e em 2014 todos teremos “orgulhos de ser brasileiros” com logo bonito ou não!
HEXA BRASIL!!!!
Não sou designer e também não conheço a concepção “do desenho industrial” no Brasil, mas não há como negar que os conhecimentos e teorias em qualquer área são derivados de outros países que já foram muito mais desenvolvidos do que o nosso. Estudei Administração e sempre carreguei em meu material algum livro sobre Fayol, Ford e outros dez homens que introduziram esse tipo de conhecimento. Para me tornar um Analista também tive que estudar outros caras que não falavam a minha língua e hoje desenvolvo sob alguma ferramenta que esses mesmos caras ajudaram a produzir.
O Brasil, pelo que leio em alguns portais de notícias e livros exporta muito conhecimento para outros países assim como absorvemos muito de fora também, pois antigamente o Brasil fazia isso como ninguém. Tentávamos copiar para aprender pois na época em que citou em seu texto éramos um páis “rural” e que tentava ser outro. Nada como copiar quem dá certo e incorporar algo próprio tornando uma idéia mais nova.
Não gostei do “design” do logo nacional e a primeira vista me lembrou a simplicidade como no logo em 70 e como alguns outros (por estar em 2010, preferi um logo como a Copa de 2002), o Chico Xavier se pintarmos com outras cores. Brasileiro adora reclamar, dar palpites, opinar e discutir sobre os mais diversos assuntos e não que isso seja ruim, mas para se ter o logo ideal aprovada por todos no mínimo precisaríamos de uma eleição nacional com 10 propostas para atender positivamente a maior parcela da população. Achei errado chamarem somente 2 pessoas para representar outros 185 milhões de leigos em design onde estou incluso, mas digo com certeza quando a Copa iniciar vamos esquecer tudo isso, já que quando votamos em presidentes fazemos a mesma coisa.
Bruno, concordo que devemos ter nossa identidade nas diversas áreas do conhecimento e fazer nossa cultura tão rica valer por si só e somos grandes para isso acontecer, mas há “técnicas antigas e incorporadas” que como sabe muito bem, são difíceis de ser quebradas e talvez essa seja a nossa maior barreira. Quem sabe um dia, algum designer brasileiro desenvolva o logo da Copa da Alemanha ou outro país?
Rumo ao Hexa!
Sou leigo nessa questão de design, mas acho muito, mas MUITO FEIO esse nosso possível logo…
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E não to falando pelos designers, apenas acho que o do PAN 2007, Cidade Cancidata Olimpíadas 2016, e o logo de Pais Candidato para a Copa do Mundo são infinitamente mais bonitos que essa taça ao estilo coca-cola de design com um 2014 nada a ver em vermelho ali do lado… onde tem vermelho no Brasil?!?!
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Mas isso é a opinião de um leigo…
rihorrores com a teoria…AMEI!!! rsrsrs
Beijos!
Três cometários:
1-O positivismo só fode a vida das pessoas.
2-A logo tá feia pacas.
3-Postagem muito bem colocada sobre o assunto.
O que importa é esse logo tá feio demais!!
Oi visite o meu blog de design e meio ambiente, obrigado desde já.
Foi a primeira vez que vi o possível logo da WorldCup Brasil (ele já foi mesmo divulgado como campeão? não quero ter surpresas no dia, hein). Olha, sinceramente, achei muito bacana. Mais do que técnica artística, o desenho me aparentou ter um profundo significado. Não sei se foi só eu quem os atribuiu, mas essas mãos juntas me dão uma incrível sensação de coletividade, unidade e sucesso. A unidade porque estão como se aliançando, a coletividade porque somente juntas formam uma figura, e o sucesso porque, afinal, parece tb uma mão agarrando uma bola! E além de todo significado atribuído, acho que este é o primeiro emblema realmente criativo para o campeonato da FIFA. Somos nós, brasileiros, introduzindo o novo, ainda que feito por um francês! E outra coisa, fala sério, comparando esse com o deste ano, dá de dez a zero (ou de quatro a zero, pra seguir o desempenho da Seleção Alemã hoje).
Adorei o post!
Mais um bom blog pra minha lista de leitura que eu ainda não conhecia.
PS: A logo para a COPA 2014 é horrível, falo isso como estudante de design e como leigo.
Nao entendo patavinas de design, minha area eh das ciencias agrarias! Mas devo concordar com muitos: a logo ficou muito feia!
Sou aluno de Design Industrial e concordo com metade das coisas acima, infelizmente design para nós ainda é novidade enquanto Dresser já fazia isso em 1850…1860…e viu que o design era essencial para agregar diferencial em produtos o brasileiro só viu isso 100 anos depois e passou a dar importância não deve ter nem 30 anos, de qualquer forma ainda fico lisongeado de ver que temos Sérgio Rodrigues irmãos Campana e Nyemeier que mesmo não sendo designer de formação é referência para muitos pelo grau de inovação e identidade em muitos dos seus trabalhos…
Acho o argumento do texto sem fundamento nenhum! A verdade nua e crua é que o logotipo é muito fraco frente ao que poderia representar uma copa no Brasil. É muita arrogância e simplismo achar que um profissional como Wöllner não sabe analisar um logotipo tendo com base tendências mais modernas de design. O design é uma forma de expressão artística e por isso não tem “amarras”, mesmo analisando o logo em questão sob uma tendência “pós-moderna” ele continua muito ruim! Independente de quem tenha feito o logotipo ele é muito aquém do que poderia ser. Basta olhar os trabalhos elaborados em eventos esportivos pelo mundo. Sou diretor de arte e faço trabalhos de design, e não acho que sou um “semi-deus”, como também, não sou tolo o suficiente para falar que um profissional como Wöllner não sabe o que está falando. Antes de mais nada, faz parte do trabalho do designer construir um trabalho que seja entendido pelo público em geral e que seja inovador também (ai está o desafio!). O logotipo em questão não preenche nenhum dos dois requisitos…a grosso modo é uma releitura bem ruim do que você diz “pós-moderno”.
Agora sejamos razoáveis….se ouve uma pré seleção dos logotipos feita por designer da ADG….porque um logotipo tão fraco com esse estava nos pré selecionados! Acho que deve ter “um por fora ai nessa história”….
Sou estudante de design também, não entendi muito bem o comentário do Bruno. Ele gostou do logo? Achou bem resolvido? Começou com um discurso diplomático, depois levou a conversa pra um lado tendencioso. Não gostar de um movimento ou escola é uma coisa. Agora atribuir a opinião de um determinado setor à influência dele é outra. Muitas pessoas que não gostam do “funcionalismo moderno” também demonstraram não ter apreciação pela provável marca.
Quando comecei meu curso de design, numa escola de artes, achava um tédio ter que ficar me prendendo a teorias e “amarras” de teóricos que considerava ultrapassados. Eu queria mesmo era liberdade e estimulo ao ousar. Porém agora já na reta final vejo o quanto fui arrogante tentando ignorar aspecto importantíssimo para consistência e validação do setor que pretendo atuar para o resto da minha vida. Se é para negar e reinventar, vamos primeiro conhecer e se aprofundar.
É inadimissivel que um designer não tenha uma visão holística sobre que se propõem a criar . Tanto faz se ele foi feita nas técnicas da Escola de Ulm ou Bauhaus, ou se foi feita pelo pós-modernismo. O fato é que a visão não pode ser iconoclasta, mas direcionando intencionalmente para aquilo se propoêm.
A logo criada não consegue traduzir em nenhum aspecto a brasilianidade, tenta apenas demonstrar o lado obscuro do sinismo estrangeiro a respeito de nossa cultura. Tanto faz se foi criado por um studio gringo ou brasileiro, o fato que a logo reflete a mensagem que queremos transmitir. Desde os primórdio da civilização, os ícones sempre tiveram grande relevancia para a vida humana, tanto na posição de status, como comunicação por si só.
É muita hiprocresia, dizer que essa logo é algo como um ósculo do designer. Nem a população da camada mais pobre e ignorante gostou dessa porcaria.
Nós fazemos parte da pequena massa de intelectos da sociedade, que criam e construem, valores, sentimentos, emoções, magia, tornando o fardo da vida diária um pouco afável.
“Nós fazemos parte da pequena massa de intelectos da sociedade, que criam e construem, valores, sentimentos, emoções, magia, tornando o fardo da vida diária um pouco afável.”
Meu olhos ardem…..Me lembrei do personagem do filme retratado no post, que precisa levar um tapa na cara…
Valores, sentimentos e emoções só podem ser CRIADOS pela pequena elite… O que seria dos POBRES E iGNORANTES, sem a pequena massa de intelectos????? Aliás devo dizer que a pequena massa não constrõe, visto que mão de obra (pôr a mão na massa), é coisa de proletariado.
Realmente quem acredita em tal afirmação tem um intelecto de pequena massa (fisica, mental e psicologicamente). E isso é muito mais lamentável que um logotipo achado “feio”.
Não tem jeito, existe mesmo design bom e design ruim, isso é definido não por um conjunto de regras rígidas do século passado, mas por um critério simples chamado SIGNIFICADO. Se serve ao significado é bom, se não serve ao significado é ruim. Lembramos que design bebe da mesma fonte MAS NÃO é arte, não é apenas expressão, não é apenas abstração, nem tampouco só objetivo. Dos três o significado grita mais alto.
Como qualquer ferramenta de comunicação (se a proposta for comunicar algo) o design precisa ser entendido. Depois de entendido, a próxima etapa é estudar o alcance desse entendimento. Antes de discutir se o logo é feio, precisamos discutir primeiro se isso é design, e muito embora a discussão passe pela análise visual, ela não se resume apenas a isso (como já foi salientado). É necessário parar de olhar tão rápido para as coisas (como nossa época impõe) pois é no olhar mais demorado, ou no segundo olhar que a percepção é mais apurada e esperada.
Longe de mim tentar defender ou defenestrar o logo. A visão é diferente, diferentíssima….me faz quetionar o que pensava o designer enquanto fazia o logo….aí a coisa começa a ficar obscura. Por outro lado me lembro que na era pictórica o pictograma era entendido por toda a tribo…iclusive civilizações posteriores….mas será que o logo da copa precisa ter esse alcance de entendimento e significado??? isso é outra história.
Wöllner diz que o logo lhe lembra uma pessoa pondo a mão ao rosto com vergonha….SE o designer criou com essa intenção foi realmente bem sucedido, nosso país é vergonhoso e causa vergonha alheia, inclusive no futebol (e não me refiro à derrota, me refiro a robalheira, a palhaçada da impresa, o governo, a polícia, a elite…etc, etc). O mais interessante é que SE a crítica foi feita e feita dessa maneira, o cara não é um designer, é um gênio.
Representa também o NEGÓCIO que o design se tornou.
O problema não é ensinar o design fudamentado em uma ou tal escola, o problema é não ensinar design….o problema é ensinar um conjunto de tecnicas de um computador, “faça isso, não fala aquilo”. O problema é o designer fazedor de logotipos no ilustrator…..é o designer mimimi que se tivesse a oportunidade faria um logotipo que poderia ser considerado pior que esse, porque só pensa em 15 minutos de fama. O mercado de design está cheio de putas, e infelizmente se aprende a ser puta já na universidade.
Pra fechar o livro, termino voltando ao nosso Brasil velho de guerra…..
Não adiante tentar esconder a mazelas do país com logotipo bonito.
O BRAZIL TEM O LOGO QUE MERECE.