11jun Bruno O. Barros

iPhone 4 e a lógica do input

 

É curioso nos darmos conta de que precisaram de quase 3 anos desde o lançamento do primeiro iPhone para que os concorrentes conseguissem desenvolver um celular que se aproximasse do aparelho da Apple em termos de hardware e software. E hoje temos excelentes celulares como o Motorola Milestone, o Nexus One e o EVO 4G da HTC.

Mas como a Apple não gosta de ser alcançada, essa semana Steve Jobs apresentou para o mundo o iPhone 4 — aparelho que estabelece novos padrões que provavelmente levarão mais 2 ou 3 anos para se difundirem entre os celulares de outras marcas.

Apesar dos impressionantes recursos (como a tela com resolução obscenamente grande, capacidade de gravar vídeos em alta-definição a 30 quadros por segundo, vídeo-conferências, etc.), eu acredito que o grande destaque do iPhone 4 foi ter se transformado no primeiro celular capaz de produzir e editar conteúdo de vídeo em alta-definição.

Output/Input

Até então, o iPhone e todos seus concorrentes eram vistos como aparelhos essencialmente de output, ou seja, aparelhos cuja função principal era fornecer conteúdo ao usuário. Há entrevistas antigas com o próprio Steve Jobs dizendo que os celulares serviriam como aparelhos de output e o input ficaria a cargo dos computadores e notebooks. O iPhone 4 é a prova de que a Apple mudou de idéia e hoje acredita que seus celulares podem não apenas fornecer output, mas produzir input, produzir conteúdo — e conteúdo sério.

O primeiro passo foi dado com lançamento da suíte de aplicativos iWork para o iPad. Ou seja, o iPad não seria apenas um iPod Touch grandão onde você acessaria a internet, jogaria, postaria no Twitter e no Facebook… Com o iWork ele seria também um produtor de conteúdo profissional: textos, apresentações de slides, planilhas.

Todos os inputs dos smartphones até então se limitavam a coisas muito básicas: agenda, anotações, fotos, etc; aí a Apple resolve subverter essa lógica e mostrar que o iPhone 4 não é um smartphone qualquer e lança o iMovies for iPhone — o que pegou muitos de surpresa. A demonstração do aplicativo durante a WWDC 2010 foi surpreendente e colocou o iPhone numa nova categoria de aparelhos móveis.

E os boatos agora é que a suíte iWorks será lançada também para iPhone.

Eu, particularmente, acho que esse é o caminho natural que a indústria está seguindo (liderada pela Apple). Se o que diferenciava um computador de um smartphone ou de um tablet era o fato de você poder trabalhar profissionalmente no computador, parece que a Apple está disposta a mudar isso. É claro que levará algum tempo, mas os primeiros passos já estão sendo dados.

Agora é assistir o Google e a Microsoft correrem atrás do prejuízo; seja através de um Google Docs para o Android ou por meio de um Office ou um Movie Maker para o Windows Mobile.



 

Um comentário para “iPhone 4 e a lógica do input”

  1. Keith disse:

    Sendo sincero, só não existiam celulares melhores que os iPhone antigamente, porque as empresas passavam mais tempo desenvolvendo sistemas para seus 300 tipos de celulares (o que era necessário) com isso o Hardware era esquecido. Aora com o Android eles se preocupammais com o hardware.

    O Video HD já existia em celulares antes dele, o Xperia x10, lançado em 2009 tinha já video 720p 30FPS e com uma coisa que o iPhone 4 não tem, o autofoco, pois o da Apple é foco fixo.

    Quanto a resolução da tela, isso é o que me deixa mais indignado, o que adianta ter uma resolução alta se voce não pode usar? Pra ter uma idéia, pegue num editor de texto e digite algo em tamanho 14 agora pegue esse texto e coloque em tamanho 4 isso é o que voce veria na resolução nativa do iPhone (umas 3,3x maior que de um monitor).

    Se isso não bastasse os melhores touchscreen que já vi tinham uma resolução de toque de cerca de 76DPI então ao clicar na tela do iPhone a precisão máxima é 16 pontos, ou seja seria como se tu apertasse o botão do mouse no “fechar da janela” e acabar maximizando, pra editar gráficos isso é uma porcaria.

    Que adianta querer ser produtivo, já imaginou ter que fazer um TCC num Word de iPhone ou qualquer cecular? Usar o Excel no meu Nokia 6120 já é dificil pois tem uns 300 menus diferentes. A suite que tenho nesse celular permite visualisar e editar Word 2007 (.doc e .docx) Excel 2007 (.xls e .xlsx) e também Powerpoint (.ppt e .pptx) alem de contar com o Adobe Acrobat Reader e também suporte a flash que não existe no iPhone.

    Eu uso meu Nokia 6120 pra ver filmes, tocar MP3 e até como calculadora gráfica (Tipo HP48G), leitor de códigos de barra e 2D então não se pode dizer que é o iPhone que inaugurou isso.

    Resumindo, meu Nokia 6120 foi lançado em 2007 e já tem aplicativos pra tudo que o iPhone 4 lançado em 2010 diz que é o primeiro.
    Ainda o Samsung Galaxy S lançado em junho de 2010 (mesma data do iPhone 4) tem praticamente o mesmo Hardware do concorrente (com excessão da resolução da tela) e custa 310 Euros enquanto o da Apple custa 590 Euros.

    A minha irritação se deve basicamente a todos falarem que o iPhone é o celular de Deus enquanto não é verdade e também as empresas pararem de desenvolver aplicativos para outros sistemas que não o da Apple que pois não estão na moda.

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