
Garoto indisciplinado muda de cidade e se vê oprimido por valentões, até que conhece um sábio senhor oriental que o ensina artes marciais de forma pouco ortodoxa. Na verdade, o ancião o está ensinando mais que golpes, e sim a própria filosofia por trás daquela luta, ao mesmo tempo em que aprende com seu pupilo a voltar a ter esperança.
Provavelmente, você reconheceu de imediato a premissa de Karate Kid, filme oitentista que tem um lugar guardado no coração de uma boa parte da geração que vai se aproximando ou já passou dos trinta anos. E, então, assim que começaram os primeiros boatos sobre um possível remake da obra, muitos foram os que o apontaram como desnecessário. Estavam completamente errados.
A história do longa está longe de ser original. É um tema bastante recorrente, aliás. Em uma geração que parece perdida entre ídolos sem talento e completamente artificiais e filmes e músicas assustadoramente dementes, as lições de Sr. Miyagi e Daniel Larusso são sempre bem-vindas. Mostram-se, na verdade, imperativas. Torna-se necessário, então, atualizar um filme para muitos datados a estes novos adolescentes.
Apesar de ser seu melhor filme (o que não é difícil para o cineasta responsável pela Pantera Cor-de-Rosa 2 e O Agente Teen), a direção de Harald Zwart não é primorosa. Somando-se sua mão frouxa em certos momentos com a necessidade de se adequar à estética adolescente atual, temos um ritmo demasiadamente acelerado em dois marcos bastante importantes da trama. O momento em que esta flerta com o sobrenatural torna-se raso e não demonstra adequadamente a influência da espiritualidade no kung-fu.
Do mesmo modo, o torneio (justamente o clímax do filme) passa voando pelos nossos olhos e, cheio de efeitos especiais desnecessários, perdemos o temor pela segurança do personagem principal (algo importantíssimo para qualquer história e que vinha se mantendo até aquele momento). Assim, não nos confortamos como poderíamos na vitória do pequeno Daniel-San… digo, Dre.
Também são tratados superficialmente todos os personagens coadjuvantes. Assim, todos tem pouquíssimas cenas para exercerem seus papéis de forma satisfatória, mas o fazem, muitas vezes evitando tornar seus personagens unidimensionais, mostrando que a escalação dos atores foi bastante feliz (já que desconfio bastante da capacidade de Zwart de dirigí-los em cena, devendo se dar todo o crédito aos próprios).

Taraki P. Henson consegue convencer com sua mãe amorosa e preocupada, ao passo de que é palpável a raiva e arrogância do personagem de Yu Rong Cuang (o professor do “novo Cobra Kai”) e do pequeno Wang Zhen Wei, antagonista do novo Daniel-San. Com mais tempo em tela, o ingênuo relacionamento amoroso de Dre é bem desenvolvido (apesar de o fazer em clichê atrás de clichê), e dá uma bela aula em muitos filmes teens por aí.
Falando em Daniel-San, é elogiável a decisão de distanciar os protagonistas da atual versão dos já aclamados e queridos personagens principais do filme original. Sr. Han e Dre Parker não são Sr. Miyagi e Daniel Larusso, apesar de que tragam inúmeros elementos em comum (a própria trama, inclusive, segue a linha básica da história original). As várias piadas e easter eggs espalhados pelo longa-metragem reforçam este sentimento, pois, ao mesmo tempo em que fazem uma alusão ao primeiro Karate Kid, se distanciam respeitosamente, enxergando com humor pontos clássicos da produção de 1984.
A responsabilidade de Jaden Smith e Jackie Chan, portanto, não é das pequenas. Após levar inúmeras pessoas às lágrimas em “À Procura da Felicidade”, o promissor filho de Will Smith fez o terrível “O Dia em que a Terra Parou”, em um papel insuportável. Em seu terceiro filme, o pequeno Jaden apresenta um personagem complexo como poucos adultos conseguiriam fazê-lo. Dre é um garoto normal: birrento e mal-educado em certos momentos (especialmente após se mudar para um país com uma cultura completamente alheia à sua), mas alegre, carinhoso e respeitável em outros.
Chan também está, provavelmente, no melhor papel de sua vida, esbanjando sua simpatia, ao mesmo tempo em que tem que lidar com uma forte carga dramática do seu Sr. Han como nunca antes vimos o ator chinês fazer. Sempre habilidoso em sua luta (constantemente utilisando mais movimentos defensivos que, dada à idade e à experiência de seu personagem, no filme se apresentam extremamente calculados, aumentando-lhes a beleza), é bom ver um Chan que pouco conhecemos no ocidente. Um dos momentos chaves do filme, em que ele conta sua história trágica a seu pequeno aluno, é realmente emocionante.
O novo Karate Kid tem suas melhores qualidades herdadas pelo seu antecessor, dirigido por John Avildsen (do primeiro Rocky), enquanto deve seus defeitos a esta atualização, aos vícios de linguagem visual da geração Justin Bieber, sustentando-se basicamente no ótimo trabalho desempenhado por Jackie Chan e Jaden Smith. Eles demonstram uma química em tela como poucas vezes se vê, trazendo à tona a cumplicidade necessária para que vejamos alí os eternos mestre e discípulo, ao mesmo tempo em que exploram a belíssima China.

Como Pat Morita e Ralph Macchio terão um lugar especial nos corações de muitos, Chan e Smith (“xiao” Dre, já que tivemos um Daniel-San anos antes) conquistarão este espaço no coração de outros. Muito melhor que sejam eles a influenciar os adolescentes de hoje que vampiros que brilham no sol ou cantoras teens loucas por sexo.
Vários filmes de 2010 mostraram que a magia dos anos oitenta pode retornar para esta nova geração. Eu sempre lembrarei de encerar com a direita e limpar com a esquerda, mas não esconderei um sorriso quando alguém tirar o casaco, pendurar o casaco, derrubar o casaco, apanhar o casaco, colocar o casaco, tirar o casaco…
PS: Corra da sala do cinema antes que comece a música dos créditos finais. Acredite em mim, corra!


Assisti ao filme e realmente é pra fugir da música qur rola nos créditos.
Esse filme causou um rebuliço na ásia, mas foi somente por causa do título, visto que o xiao(pequeno, tampinha)-Dre é o jovem gafanhoto de Mr. Han Chang Caine.(Desculpe, não resisti) O filme tem uma estrutura legal, não curti muito o golpe final mirabolante, ele poderia ter arrancado o olho do oponente ao estilo Kill Bill mas aí não seria Karate/ Kung fu Kid.
Vale o ingresso? sim. Com certeza a garotada vai adorar o filme, vai chamar o Mr. Han de china/ japa, mas fazer o que, né? haha
repito o que Felipe Pinheiro disse FUJAM na hora dos créditos!
Realmente não pretendo ver esse filme. “Karate Kid” não pode ser um filme de kung-fu.
Acho uma grande baboseira, pra não dizer algo pior, se aproveitar do nome de um filme de sucesso mas querer ser original o suficiente pra mudar algo tão básico do filme quanto a arte marcial que dá nome ao filme. Que pelo menos botassem Kung Fu Kid.
Estou aniosa pra ver essa versão!
Eu vi o filme e realmente e muito bom .vale a pena compra o ingresso.
Ainda não assisti o filme e confesso que não ter certeza se assistirei. Nasci anos após o lançamento do filme, em 87, ainda sim o original tem cadeira cativa na minha memória. Graças as inacabáveis reprises Globais e ao DVD que guardo com carinho na minha estante.
Não sei se devo arriscar sair desgostoso do cinema, por ter visto algo descaracterizando um dos meus filmes preferidos.
De qualquer forma foi um belo post.
P.S.: UtiliZando e não UtiliSando. ficadica#
Bem, eu assisti ao filme, e pra ser sincero não gostei muito.
Além de alguns problemas, como foi falado no review, o diretor não conseguiu captar a “essência”, por assim dizer, do kung-fu. O que é primordial na arte marcial. E essa essência, que não foi capitada no filme, que também esteja faltando na nossa sociedade. Mas tendo em vista que é um filme teen, até podemos relevar.
Agora, os “super poderes” que atribuíram as crianças foram difíceis de engolir.
Apesar de tudo, a lição de superação do muleque durante os treinamentos é valida. E a questão de mestre e aluno também.
Enfim, é um filme infantil, crianças vão gostas. Se vale o ingresso? Não sei, eu não me sinto atraído a ver de novo.