
Mais um ano e mais um Emmy ao qual eu quase assisti. Mas ainda deu para pescar algumas coisas, em especial algumas surpresas não tão boas, e ver que a premiação continua a apostar em um bom apresentador e num clima bem menos burocrático que o do Oscar (que vem buscando ficar mais leve justamente por causa do sucesso de outras premiações, como o Emmy).
Após o fiasco de Ryan Seacrest como mestre de cerimônias em 2008, Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother) deu um show de carisma no ano seguinte e Jimmy Fallon se esforçou para manter o nível. Inclusive, você pode conferir o sketch de abertura da premiação deste ano, bastante divertido, que inclui Jorge Garcia e Tina Fey no Glee Club e Betty White se “aproveitando” de Jon Hamm.
E os prêmios? Continua a invencibilidade de Mad Men e Breaking Bad, Lost sai de mãos abanando e 30 Rock, quem diria, começa a perder terreno nas premiações. Confira os principais vencedores da noite, com os comentários (dispensáveis?) de sempre.
É bom lembrar, antes de mais nada, uma velha crítica de muitos sobre o sistema de votação do Emmy: muitos dos jurados não assistem a todas as séries ou acompanham aquela série ou ator em que votam por toda temporada. Muitos assistem apenas a um episódio escolhido pelo estúdio. Assim, há grandes chances de uma série, diretor ou ator bastante irregulares levar a estatueta por ter apresentado um episódio simplesmente sensacional que surgiu por sorte. Da mesma forma, nomes regulares em sua qualidade costumam ser injustamente preteridos.
Melhor série dramática – Mad Men. Como a última temporada de Lost dividiu bastante as opiniões, seria de se supor que não venceria esta categoria. Mas a constante premiação de Mad Men começa a incomodar, como acontecia com 30 Rock. Cria-se uma categoria previsível e que ignora novas séries, cheias de potencial ou até tão boas (ou melhores) que os publicitários dos anos 60.
Direção em série dramática – Steve Shill (Dexter). Um dos exemplos de que a TV tem demonstrado, por muitas vezes, bem mais qualidade que o cinema.
Melhor série cômica – Modern Family. Levando em conta ótimos programas que foram esquecidos na lista de nomeados, como Community (não se engane com esta ótima série com um péssimo piloto) e The Big Bang Theory, Modern Family era a série mais divertida entre os concorrentes.
Direção de série cômica – Ryan Murphy (Glee). Eis uma série que começou com bastante potencial, mas tem decaído a olhos vistos e, em grande parte, devido à culpa de roteiristas e diretores cada vez mais desleixados e auto-indulgentes. Prêmio no mínimo incoerente e que se deve, certamente, ao sistema de votação que comentei.
Melhor ator em drama – Bryan Cranston (Breaking Bad). Minha torcida se dividia entre Cranston e Micheal C. Hall (Dexter). No entanto, como Cranston também ganhou em 2009, eu acho que já é mais que hora de reconhecer o bom trabalho do assassino serial de Hall.
Melhor ator em comédia – Jim Parsons (The Big Bang Theory). Merecidamente e já atrasado. Parsons é o principal responsável pelo alto nível da sua série e tem um dos melhores personagens dos últimos anos.
Melhor atriz em drama – Kyra Sedgwick (The Closer). Mesmo concorrendo com Glenn Close, é merecido o prêmio de Kyra, que leva sua série praticamente nas costas.
Melhor atriz em comédia – Edie Falco (Nurse Jackie). Finalmente perceberam que Tina Fey é uma escritora brilhante e uma ótima atriz, mas sua Liz Lemon não é tão divertida quanto o estúdio quer vender. Ponto para Falco, que saiu de uma grande série dramática (The Sopranos) e apresenta uma personagem que é muito mais que uma mera Dr. House de saias.
Melhor ator coadjuvante em drama – Aaron Paul (Breaking Nad). Paul está desenvolvendo um ótimo trabalho, mas é uma injusta ignorar Terry O’Quinn e Micheal Emerson (ambos de Lost) que, como em toda série, estiveram fantásticos nesta temporada.
Melhor ator coadjuvante em comédia – Eric Stonestreet (Modern Family) – mais uma vez, um bom ator é premiado em detrimento a um ator melhor ainda (Neil Patrick Harris).
Melhor atriz coadjuvante em drama – Archie Panjabi (The Good Wife).
Melhor atriz coadjuvante em comédia – Jane Lynch (Glee). Um ótimo personagem em uma série que vem decaindo a cada dia.
Melhor minissérie – The Pacific. Do canal HBO, indispensável para aqueles que gostaram de Band of Brothers.
Melhor filme para a TV – Temple Grandin. Outra produção da HBO, cada vez mais responsável por trazer inovações e boa qualidade, papel fundamental da TV paga americana.
Melhor reality show de competição – Top Chef. Com The Amazing Race sendo mais do mesmo, novamente, e American Idol em sua pior temporada, foi fácil o prêmio ser dado ao ótimo reality dos cozinheiros.
Melhor Programa de música, comédia e variedades – The Daily Show with Jon Stewart.

