
Este não será um texto político. Em primeiro lugar, porque política não é a tônica deste blog, e nunca irá ser, a não ser que estejamos falando de uma obra da cultura pop que, ela própria, trate de temas políticos, especialmente em crítica (não cansamos de falar de Watchmen à época do lançamento de seu filme). E, em segundo lugar, porque editores, colaboradores e leitores tem ideologias políticas diferentes e completo direito de a manifestarem e respeitarem, mas não aqui, onde se levanta uma bandeira branca para falarmos de amenidades tão necessárias às nossas vidas.
Dito isto, foi anunciada nesta quinta-feira a escolha de “Lula, o Filho do Brasil” para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2011, em detrimento de obras melhores ou mais populares, como “Quincas Berro D’Água”, “Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos”, “Chico Xavier”, “Nosso Lar”, “As Melhores Coisas do Mundo”, “Bem Amado” e “Cabeça a Prêmio”, para citar algumas mais conhecidas.
Considerando tão somente as qualidades técnicas do longa-metragem, podemos dizer que é uma péssima escolha. Lula tem uma história que se assemelha à jornada do herói: ora, sem querer considerar qualquer crítica que possa surgir sobre como ele foi alçado à presidência, ele é um garoto pobre do interior nordestino que alcançou o mais alto cargo público de seu país, algo que poderia ser facilmente romanceado.
O filme de Fábio Barreto, no entanto, falha miseravelmente em nos mostrar um Lula mítico, ao mesmo tempo em que não consegue levar às telas um Lula humano e falho, num possível enfoque contrário. Há alí apenas uma caricatura menos humorada do presidente, um homem extremamente carismático (algo que deve ser admitido por gregos e troianos), cuja figura jaz incolor nas mãos do mediano ator Rui Ricardo Dias. Seguem falhas no roteiro (expositivo e episódico) e atuações, salvando-se tão somente Glória Pires, que faz um bom trabalho como Dona Lindu, mãe de Lula.
Não é a primeira vez que a “especialista” equipe do Ministério da Cultura escolhe um filme medíocre para representar o Brasil, que, não raro, nem mesmo chega a figurar entre os indicados ao Oscar. Claro que passaram-se anos fracos para o cinema nacional, mas houve anos em que verdadeiras obras-primas ou longas que se assemelham aos típicos ganhadores foram ignorados. Enquanto isto, nossos “hermanos” argentinos seguem selecionando filmes tocantes e universais, e sendo consagrados pelo cinema internacional.