
Acredito que foi a Carol Felipe (do blog Prateleira Cultural) quem primeiro me falou de The Hunger Games (ou Jogos Vorazes, no Brasil), e, logo vi que a trama tinha potencial para um ótimo filme: os Estados Unidos, em um futuro pós-apocalíptico (sempre ele), são divididos em uma capital e doze províncias, que enviam dois adolescentes, cada, para um insano reality show que lembra muito os mortais coliseus romanos. E o livro realmente irá para as telonas, com direção de Garry Ross (Seabiscuit).
Mas aí, percebi que eu já tinha ouvido isso antes, em outro lugar e em outra roupagem. Pessoas caçando pessoas e Reality Shows macabros não são lá uma idéia muito original, mas, também, não vivemos num mudo de idéias completamente inovadoras. As histórias de hoje em dia são, basicamente, reciclagens de vários mitos, incluindo a mais que utilizada Jornada do Herói.
A questão é que Hunger Games me lembra demais Battle Royale, livro do japonês Koushun Takami que foi adaptado para o cinema em 2000. Batoru Rowaiaru, título original do longa-metragem dirigido por Kinju Fukasaku, traz o Japão em um futuro em crise e repleto de delinquência juvenil, onde, através de uma lei, salas de estudantes secundaristas são escolhidas para serem despejados, com as mais variadas armas, em uma ilha deserta com uma grande regra: apenas um aluno daquela turma poderá sobreviver. Daí, Darwin se faz presente e começa a matança. E que matança!
Como a Lionsgate, que cuida da produção de The Hunger Games, espera conseguir um filme PG13 para atingir o público-alvo da trilogia de livros (incrivelmente, crianças de 12 a 18 anos), só posso supor que teremos um Battle Royale versão Crepúsculo. Aliás, hoje em dia, quase tudo é “versão Crepúsculo”. Nessas horas, são devidas palmas para a Warner que mantém um clima razoavelmente sombrio e violento para Harry Potter que, afinal, também é uma série infanto-juvenil.



