Arquivo para o mês março de 2011

23mar Felipe Pinheiro

Lanterna Verde em agosto

 

Lanterna verde

As principais estréias dos grandes estúdios costumam acontecer em datas aproximadas pelo mundo, se não em um lançamento simultâneo, já que a bilheteria internacional é muito mais volumosa que a americana (embora espalhada por um grande número de países), e os estúdios não querem que seus filmes sofram com a perda do hype ou pirataria. Hoje em dia, os primeiros finais de semana são fundamentais na arrecadação, já que outro blockbuster pode vir em seguida e jogar a “mina de ouro” de alguém para escanteio.

Eis que, enquanto estreará nos Estados Unidos em junho deste ano, Lanterna Verde tem sua estréia pelo mundo diluída no espaço de dois meses. Foi anunciado ontem que o Brasil, por exemplo, só verá o herói em 19 de agosto. Oficialmente, a distribuidora do longa alega que planeja trazê-lo em 3D para nosso país, e as poucas salas que suportam o formato estão com a agenda cheia em na época. Junho e julho são meses de férias escolares e estrearão, em 3D, filmes como Kung Fu Panda 2, Carros 2, Tranformers 3 e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

Enquanto muitos fãs esperneiam pelo atraso, ainda mais por ter que esperar devido a um 3D convertido, há quem aponte que a razão da demora é a pouca confiança da Warner no longa. As primeiras fotos e trailer inspiraram pouca confiança em muitos leitores de HQs e há fortes boatos que o resultado final de Lanterna Verde também não teria agradado aos chefões do estúdio, que teriam ordenado a regravação de inúmeras cenas, bem como uma revisão completa nos efeitos especiais. Daí, seria interessante que o filme não enfrentasse uma temporada com fortes concorrentes, que ainda inclui Capitão América e X-Men: First Class.

No entanto, se atentarmos ao IMDB, podemos ver que em várias das principais praças, como Canadá e Reino Unido, a estréia também ocorre em 17 de junho. Então o atraso do Brasil seria mesmo consequência do diminuto circuito em 3D? Porém, se considere também que boa parte da Europa só receberá o longa no início de agosto. Também terão eles poucas salas em 3D ou as teses conspiratórias estarão certas?



 
22mar Felipe Pinheiro

ZDM

 

ZDM

Os Estados Unidos estão em uma nova guerra civil e Nova York, ou Zona Desmilitarizada, como é agora conhecida, é uma terra de ninguém. No meio do caos nova iorquino (com um novo significado, frise-se), foi jogado o novato fotojornalista Matty Roth, que inicia uma missão solitária de cobrir o que se passa na destruída cidade. Esta é ZDM, a elogiada série da Vertigo escrita por Brian Wood (Frequência Global) para o selo Vertigo.

A Panini Comics lança, neste mês de março, o terceiro encadernado da série, que conta agora com desenhos do italiano Riccardo Burchielli. Neste volume, Roth, já com certa consagração por seu trabalho na Zona Desmitilarizada, entra em sua missão mais perigosa: mergulhar anonimamente nas entranhas da máquina de reconstrução de Nova York e sentir — na pele e no estômago — todas as coisas podres envolvidas na indústria bélica e nas engrenagens que fazem a guerra girar. Sua investigada é a Trustwell Inc., empresa vencedora de um lucrativo contrato para reconstruir Manhattan.

É bom vermos a Vertigo finalmente ser tratada à altura, no Brasil. Entre álbuns de super-luxo, como Sandman, a volumes mais baratos como os de Y – O Último Homem e Fábulas (e todo o meio campo entre eles), vários títulos do selo adulto estão sendo publicados no Brasil, com uma boa regularidade.

ZDM vol 3 – Obras Públicas reúne as edições originais #13 a #17, tem capa dura, lombada quadrada, papel LWC, 132 páginas e chega às livrarias custando R$ 36,90.



 
22mar Felipe Pinheiro

NCIS

 

Estréia hoje a oitava temporada da série de maior audiência nos Estados Unidos (com média superior a 20 milhões de espectadores!), NCIS. O programa, que traz a equipe de investigação criminal da marinha, abusa bem menos de invencionismos tecnológicos do que as semelhantes CSI (não confundamos: a relação entre ambas é apenas temática, já que NCIS é um spin-off da aclamada JAG) e se concentra em boas tramas e, principalmente, na boa química de seu elenco, que volta completo.

No primeiro episódio, é trabalhado o gancho deixado ao fim da sétima temporada, em que os filhos do traficante morto por Gibbs (o mesmo que assassinou sua família) começam sua vingança. Mas, não é tão fácil passar a perna no velho Gibbs. E, quanto isso acontece, há consequências.

AXN, terças-feiras, 22h.



 
21mar Luiz Jeronimo Stamboni

Marvel vs Capcom 3

 

O maior e melhor crossover de todos os tempos retornou ao mundo dos games. E olha que, como grande fã da DC, nem mesmo a junção de seu universo com o de Mortal Kombat pôde fazer pela diversão o que a Marvel consegue fazer quando se une à Capcom. Marvel VS. Capcom é gigante em diversos aspectos, a começar pela quantidade de personagens. Caras conhecidas das duas casas estão lá, como Ryu, Chun-li, Wolverine e Homem-Aranha, mas há espaço (em que são muito bem-vindos) para personagens como Chris Redfield, Amaterasu (Okami), Phoenix e X-23, entre outros.

E quando digo gigante, leia-se como uma analogia livre para exagero. Sim, aquele mesmo exagero que estamos acostumados a ver em jogos do tipo, aqui, foi elevado à décima potência. Desde os especiais combinados à luta final contra (perdõe-me se soará como spoiler) Galactus! A lista de golpes também é extensa, e personagens como Dante e Deadpool parecem ter sido ainda mais privilegiados nesse quesito. Dante, inclusive, soa como o melhor selecionável do game.

Uma das grandes diferenças na verdade está para a ausência do sistema de controle em que há socos e chutes de diferentes potências, abandonando assim o que tínhamos nos games anteriores da franquia e se assemelhando ao sistema adotado em Tatsunoko VS. Capcom. Em se tratando de qualidade técnica, Marvel VS. Capcom 3 é impecável. Dos gráficos, mais lindos do que nunca aos efeitos sonoros, com destaque para a dublagem. Deadpool soa como um fanfarrão em suas falas.

Os pontos fracos se dão pelo roteiro, fraco e insosso e pelos finais. Estes são uma lástima, bem que a Capcom poderia ter dado a mesma atenção que deu à apresentação, deixando de lado esses finais estáticos, que em nada tem a ver com a nova geração. No mais, Marvel VS. Capcom 3: Fate of Two Worlds, que saiu para as plataformas Playstation 3 e Xbox 360 é garantia de diversão. Alguém aí esperava algo além disso?



 
21mar Felipe Pinheiro

O envelhecimento da cultura pop?

 

Limitless

Rotineiramente, o Omelete traz a bilheteria dos cinemas americanas (em parceria com o site americano Collider), e, neste último final de semana, a surpresa foi a primeira posição de Sem Limites, ficção científica com Bradley Cooper e Robert De Niro que arrecadou U$ 19 milhões (tendo custado apenas U$ 27 milhões). Não bastasse confirmar o dom de Cooper para ser herói de ação ao estilo de Bruce Willis (pois divide com ele o mesmo carisma e canastrice) a boa bilheteria despertou uma observação do “cozinheiro” Marcelo Hessel.

Com a boa bilheteria deste e de outros filmes mais maduros, não só nesta semana, como nos últimos meses, e um percentual grande de adultos nas salas de cinema, Hessel se perguntou se “a ausência dos jovens nos cinemas já é assunto em Hollywood… Será que temos aí uma tendência de verdade ou foi apenas reflexo das estréias recentes?”.

Ainda é muito cedo para afirmar isso, pois precisaríamos de alguns meses de estudo do comportamento dos espectadores americanos nos cinemas, principalmente para eliminar variantes como a recente leva de maus filmes-família (que, aliás, derraparam feio nas bilheterias), mas é possível que o público nos cinemas esteja envelhecendo, e isso é uma coisa ótima, pois pode forçar um fenômeno já verificável de amadurecimento na cultura pop.

Leia o resto desse post »


3

 
19mar Felipe Pinheiro

Damages

 

Damages

Sem as pressões dos grandes estúdios, que querem cada vez filmes mais fáceis e com uma classificação etária mais abrangente, o que resulta em um grande retorno financeiro, especialmente em tempos pós-crise econômica, onde investimentos seguros são quase uma ordem (embora essa teoria tenha sido balançada nos últimos meses, com alguns filmes-família com péssimas bilheterias). Assim, a televisão acaba sendo o palco de experiências dramáticas mais ousadas.

Alguns programas como Lost, Breaking Bad e Boardwalk Empire (só para citar pouquíssimos), tem roteiros bem mais trabalhados que os lançamentos anuais de muitos estúdios, sem contar a possibilidade que uma temporada de episódios dá para o desenvolvimento de um personagem. Assim, muitos são os atores consagrados no cinema que migram para as telas, ou vice-versa, quer seja para continuar a desenvolver bons personagens (cada vez mais escassos na sétima arte) ou para reinventar sua carreira.

Damages, que chega à sua terceira temporada neste domingo, no AXN, traz Glen Close, vencedora de dois Emmys como a advogada Patty Hewes. Close engole qualquer um em cena, não importa que esteja contracenando com bons atores como Martin Short, Lily Tomlin e Tate Donovan. Destaque especial para Rose Byrne, que teve que encarar Close de frente já desde a primeira temporada.

Neste ano, encontramos Patty alguns meses após sair de seu escritório, e ela logo se envolverá com um escândalo econômico envolvendo o esquema de pirâmide que levou o empresário Bernard Madoff aos jornais, em 2009. Como sempre, uma boa trama com o submundo do judiciário americano e manipulações e traições a dar de rodo.

AXN, domingos, 22 horas.



 
18mar Felipe Pinheiro

Azul da cor do mar

 

O Entertainment Weekly divulgou a primeira foto de Adrianne Palick como Mulher-Maravilha (clique no link para acessar a página da revista e dar uma conferida). Pode ser por causa da iluminação, mas as cores e o material deixam tudo com uma artificialidade gritante que em nada remete a uma guerreira mitológica ou uma vigilante urbana (a nova roupagem da personagem). A impressão que fica é de um cosplay, e dos ruins.

É clara a inspiração no visual atual da heróina, mas mesmo a polêmica arte de Jim Lee ainda é bastante superior, especialmente com o jogo de cores. Tudo bem que o uniforme da Mulher-Maravilha possui cores primárias, mas exageraram bastante no uso do azul e do amarelo, nos tons mais enjoativos possíveis.

No mais, elogiáveis os… pulmões da senhorita Palick. Se minha parca experiência com filmes e séries me diz algo, é que podemos esperar que estes dois…. suportes da águia sejam usados para distração de um figurino risível e de sabe-se lá o que venha pela frente.

De qualquer maneira, David E. Kelley, o produtor do programa, tem bastante crédito, por ter criado séries boas de audiência como Ally McBeal e Justiça Sem Limites. Além do mais, não dá para julgar um produto inteiro apenas por uma foto de divulgação. É preciso esperar para saber se teremos um novo Smallville pela frente. E isso não é um elogio.


3

 
18mar Felipe Pinheiro

Possível elenco de Preacher

 

Preacher

Não sou um dos maiores fãs de Preacher. Admito que a história de Garth Ennis tem ótimos elementos, mas tem tanta gordura desnecessária e cenas feitas puramente para chocar (o que pode ser adequado em qualquer projeto maior e sem muitas pretensões, mas não em algo de suposta grandeza quanto esta série), que a obra perde boa parte de sua força. Minha opinião não é segredo pra ninguém, e sempre lembro que está longe de ser a mais correta. Respeito quem afirma que é uma das maiores obras dos quadrinhos, só que não funciona pra mim.

No entanto, sei que, se bem contada, essa história pode ser foda. Sim, com esse adjetivo/palavrão. E sua adaptação para os cinemas seria uma possibilidade para isso acontecer, mas sua produção vinha aos trancos e barrancos. E pode piorar.

D. J. Caruso (Controle Absoluto e O Número Quatro), novo diretor contratado para Preacher, afirmou que gostaria de ter Chris Pine (Star Trek) como Jesse Custer e Alex Pettyfer (O Número Quatro) como O Santo dos Assassinos, além de revelar que Shia LaBeouf estaria interessado em viver o Cara-de-Cu.

Se Pine já seria uma aposta arriscada, pois, apesar de ótimo no divertido Star Trek, não demonstrou ainda condições de interpretar o melancólico e cínico Custer. Pior ainda a escolha de Pettyfer, um boneco de cera que faria Brandon Routh, em comparação, um grande ator, não tem a mínima capacidade ou porte físico para interpretar o Santo dos Assassinos, uma verdadeira força da natureza em forma de cowboy desmorto, praticamente um Clint Eastwood capaz de sobreviver a bombas atômicas.

Torçamos para que Caruso esteja bêbado ou trollando algum jornalista. Se ele já tem essa escalação em mente, podemos esperar uma versão Crepúsculo de Preacher. E Alan Moore riria muito dessa situação. Muito.



 
18mar Felipe Pinheiro

The Wolverine perde Aronofsky

 

The Wolverine

Quando um dos cineastas mais cultuados de sua geração, com uma elogiável carreira construída em cima de um peculiar olhar sobre pessoas obcecadas por uma idéia capaz de destruí-las, foi anunciado como diretor da continuação do terrível X-Men Origens: Wolverine, a comunidade nerd foi ao delírio, em especial os fãs do baixinho canadense. Quando o mesmo diretor revelou que ignoraria solenemente o longa anterior e que focaria The Wolverine na saga japonesa de Frank Miller (Eu, Wolverine), mais aplausos. Mas nem tudo é festa.

Darren Aronofsky anunciou que está fora do projeto, alegando não querer se distanciar de sua família por um ano, período estimado para trabalhar no longa, que seria gravado no Canadá e no Japão, e em sua divulgação. Embora a Fox lamente a saída de Aronofsky, com os elogios de praxe, e o diretor realmente estar passando por um momento delicado em família (uma briga pela custódia do filho que teve com Rachel Weisz), sem contar os recentes problemas no Japão (que alterariam drasticamente o cronograma de gravações), as teorias conspiratórias já começaram.

Quando deixou X-Men 3 por, segundo vários sites, divergências criativas com a Fox (leia-se: a conhecida fama do estúdio de intervir demais em alguns filmes com mais apelo comercial, visando deixá-los mais “acessíveis” ao grande público), Matthew Vaughn (que, curiosamente, trabalha em X-Men: First Class) alegou também não querer se distanciar de casa. Há quem alegue que a visão pessoal do diretor de Cisne Negro ao anti-herói mutante e a classificação etária que ele desejava para o projeto não estavam agradando a Fox, que teria negociado a sua saída, com a desculpa padrão.

Resta conferir o desenrolar da história e a escolha do novo diretor de The Wolverine. Sendo verdadeira a versão oficial ou alguma das teorias, o certo é que a saída de Aronofsky é uma grande perda ao projeto, especialmente em uma história que mistura o inabalável senso de honra japonês e uma paixão arrebatadora que envolveu o mutante, prato cheio para ele.


2

 
17mar Felipe Pinheiro

Simpsons

 

Simpsons

22 anos. Uma longevidade dessas não é para qualquer programa. É certo que o sucesso comercial dos Simpsons lhe rendeu um avanço cada vez mais crescente em sua qualidade técnica e a frequente participação de celebridades, mas, em contrapartida, tirou-lhe um pouco da audácia e da acidez. Isso sem contar plots que fatalmente vão parecer muito semelhantes a alguns usados, mesmo que não sejam repetições.

Se observe, no entanto, que nas últimas temporadas os produtores vem travando um esforço para provar que o programa ainda é relevante, usando de um humor negro mais sutil (o que apresentaria a série como uma alternativa mais “sofisticada” que sua sucessora Family Guy), e ousando algumas vezes, como com a polêmica abertura de Banksy.

De qualquer modo, temos que considerar que a sociedade atual já passou pelos Simpsons, e não vai mais se chocar tão facilmente com as verdades que a família amarela nos joga na cara. Os grandes inimigos de Homer e companhia podem ser eles mesmos.

O 22º ano estréia neste domingo, 20 de março. Fox, domingos, 20 horas.