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22mar Felipe Pinheiro

ZDM

 

ZDM

Os Estados Unidos estão em uma nova guerra civil e Nova York, ou Zona Desmilitarizada, como é agora conhecida, é uma terra de ninguém. No meio do caos nova iorquino (com um novo significado, frise-se), foi jogado o novato fotojornalista Matty Roth, que inicia uma missão solitária de cobrir o que se passa na destruída cidade. Esta é ZDM, a elogiada série da Vertigo escrita por Brian Wood (Frequência Global) para o selo Vertigo.

A Panini Comics lança, neste mês de março, o terceiro encadernado da série, que conta agora com desenhos do italiano Riccardo Burchielli. Neste volume, Roth, já com certa consagração por seu trabalho na Zona Desmitilarizada, entra em sua missão mais perigosa: mergulhar anonimamente nas entranhas da máquina de reconstrução de Nova York e sentir — na pele e no estômago — todas as coisas podres envolvidas na indústria bélica e nas engrenagens que fazem a guerra girar. Sua investigada é a Trustwell Inc., empresa vencedora de um lucrativo contrato para reconstruir Manhattan.

É bom vermos a Vertigo finalmente ser tratada à altura, no Brasil. Entre álbuns de super-luxo, como Sandman, a volumes mais baratos como os de Y – O Último Homem e Fábulas (e todo o meio campo entre eles), vários títulos do selo adulto estão sendo publicados no Brasil, com uma boa regularidade.

ZDM vol 3 – Obras Públicas reúne as edições originais #13 a #17, tem capa dura, lombada quadrada, papel LWC, 132 páginas e chega às livrarias custando R$ 36,90.



 
16mar Felipe Pinheiro

Marvel Big Shots

 

Big Shots

Em fevereiro, a Marvel Comics anunciou a iniciativa “Big Shots”, que consistia no lançamento de três novas mensais para alguns de seus principais personagens urbanos, com aventuras mais pé-no-chão, algo ótimo para os leitores mais conservadores, já que o Demolidor acabara de passar por uma espécie de possessão demoníaca (que, cá entre nós, deixou um péssimo gosto final na boa e sombria fase que o personagem vinha apresentando), enquanto o Justiceiro havia virado um frankenstein em histórias bem divertidas (me julguem!).

As equipes criativas eram secretas e seriam anunciadas aos poucos. Primeiro, fomos informados que Brian Bendis e Alex Maleev repetiriam a ótima parceria de Demolidor e Spider-Woman com o Cavaleiro da Lua (um herói que em muito lembra o Batman, mas metido com o misticismo egípcio e com sérios problemas de múltipla personalidade).  Então, se descobriu que Greg Rucka (responsável por uma boa e prolífica fase do Batman nos anos 90) se uniria a Marco Checchetto para assumir o título do Justiceiro.

Por fim, o Bleeding Cool alega que Mark Waid e Paolo Rivera (Mitos Marvel). Escolha inusitada, já que Waid é mais conhecido por títulos mais heróicos e aventureiros, como Quarteto Fantástico, Flash e uma versão da Legião dos Super-Heróis. No entanto, seu trabalho mais aclamado é grandioso e bastante sombrio, O Reino do Amanhã, tido por muitos como a maior história já contada com Superman e companhia. Vejamos o que sua passagem pelo título do herói que já teve ótimas fases nas mãos de Frank Miller, do próprio Bendis, Ed Brubacker e Kevin Smith.



 
15mar Felipe Pinheiro

Bórgia

 

Os Bórgias

Conhecido por desenhar mulheres sensuais e cenas picantes, o italiano Milo Manara se uniu ao chileno Alejandro Jodorowsky para contar a história de uma das famílias mais devassas e poderosas da Idade Média. Chega ao Brasil, pela editora Conrad, o quarto volume da história dos Bórgias, que encerra a saga do Papa Alexandre VI e o jogo de luxúria e poder que rondava o Vaticano da Renascença.

A sinopse divulgada pela editora lembra que o Papa teve inúmeras amantes e sete filhos, incluindo Cesar Bórgia, sagrado Bispo aos 16 anos e Cardeal aos 20. Cesar, que teria então um caso com sua irmã, Lucrécia (cujo nome virou sinônimo de vilania), inspirou Maquiavel a escrever o clássico O Príncipe.

Bórgia – Volume 4 – Tudo é Vaidade tem 56 páginas, capa dura, e chegará às livrarias custando R$ 47,00. Obviamente, é uma leitura recomendada para maiores de dezoito anos e um prato cheio para quem gosta de belas mulheres e escândalos históricos.


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03mar Felipe Pinheiro

Sociedade da Justiça

 

Sociedade da Justiça

Já um pouco atrasado na cronologia, o título da Sociedade da Justiça saiu da revista da Liga da Justiça, no Brasil, e muitos de seus fãs ficaram apreensivos pelo futuro das histórias do mais tradicional grupo de super-heróis da DC Comics por aqui.

Eis que a Panini Comics anunciou para abril o lançamento de Sociedade da Justiça – Vol 1, que traz um novo início à Sociedade, com a chegada de mais novos integrantes, o retorno de antigos e terríveis inimigos, incluindo o Mago Mordru, e uma tragédia que se abate sobre um de seus membros. Tudo isso pode abalar as estruturas do próprio grupo, e levar parte dele a novas direções.

Reunindo as histórias originalmente publicadas em JSA 29 a 35, esta edição tem roteiros de Bill Willingham e arte de Jesus Merino e Travis Moore. Infelizmente, Willingam está bem aquém do trabalho que desenvolve na série Fábulas, e não consegue manter o mesmo ar icônico e familiar que Geoff Johns dava à equipe. Já Merino, normalmente arte-finalista de Carlos Pacheco, tem um traço que lembra seu colega, mas é pouco fluído e peca em várias composições de cena e detalhes da anatomia.

Sociedade da Justiça – Vol 1 terá 164 páginas, papel pisa brite e capa couché. Seu preço ainda não foi divulgado, mas dá para chutar que será algo entre R$ 15,00 e R$ 20,00.



 
02mar Felipe Pinheiro

A Geração Perdida da Liga da Justiça

 

Liga da Justiça - Geração Perdida

Nos Estados Unidos, a DC Comics está publicando duas boas séries quinzenais. De um lado, a continuação direta de A Noite Mais Densa, O Dia Mais Claro. De outro, uma aventuresca reunião dos antigos membros da LJI, em Liga da Justiça: Geração Perdida.

Restava a dúvida de como ambas seriam publicadas no Brasil. Recentemente, a Panini Comics anunciou que O Dia teria um título próprio, com treze edições mensais, começando por um número zero, em março. E, então, veio a informação sobre Geração Perdida, quase como um balde d’água na cabeça dos leitores.

A revista mensal Liga da Justiça, que estava, junto a Superman, Batman e Lanterna Verde, no modelo mais simples da Panini, com três histórias e custando R$ 6,50, passará a conter seis histórias, com 148 páginas e (mais que) o dobro do preço, nos moldes de A Sombra do Batman e Universo DC.

Assim, a nova publicação passará a conter duas hitórias por mês de Geração Perdida, além da boa nova fase do Flash de Geoff Johns (com ótimos desenhos de Francis Manapul). Mas nem tudo são flores. Metade da revista ainda será ocupada pela sofrível Liga da Justiça de James Robinson e pela péssima minissérie A Ascensão do Arsenal (uma decorrência direta da minissérie Um Grito Por Justiça). É possível que, após o fim desta série, ela seja substituída pelo novo título do Arqueiro Verde. Já quanto à Sociedade da Justiça, que fazia parte deste mix da Panini, não houveram informações.

Durante anos, Max Lord comandou uma Liga da Justiça atrapalhada (na chamada fase cômica da Liga), e recentemente se revelou que o agora vilão Max Lord tinha um plano de coibir a ação dos super-heróis, razão pela qual manteve uma Liga tão pouco efetiva. Depois dos eventos de O Dia Mais Claro, resta a estes desacreditados heróis empreenderem uma caçada ao seu antigo amigo, enquanto o mundo inteiro não sabe mais que ele é.

Uma pena que uma história tão elogiada nos Estados Unidos seja empurrada em um título onde metade das páginas seja puro lixo.



 
14fev Felipe Pinheiro

Batman, Bugman e os Petralhas

 

Bugman - Melhores do Mundo

Na edição 98 da revista Batman, publicado pela Panini Comics em janeiro, o novo Homem-Morcego visita um vilão inglês em sua prisão, o Rei Perolado. Ao recebê-lo, seu carcereiro chama o bandido de “Petralha”. Termo este, para quem não acompanha o jornalismo político, cunhado por Reinaldo Azevedo em uma mistura de Petistas e Metralhas (os irmãos, da Disney), para descrever membros do PT que seriam dados a crimes. O tradutor Caio Lopes, então, trocou a expressão “nasty”, escrita por Grant Morrison na história original, pelo neologismo brasileiro.

Tal troca passou despercebida por muitos leitores (eu incluso), mas foi observada pelos participantes do fórum Miolos e o Multiverso DC (ótimo blog para acompanhar as notícias dos quadrinhos da editora americana) foi o primeiro a noticiar a tradução, logo acompanhado pelo Melhores do Mundo (blog despretensioso e bastante franco sobre quadrinhos que não poupa nenhum personagem, especialmente o Robin, caros amigos cuequinhas verdes).

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10fev Felipe Pinheiro

Fundação Futuro

 

Fundação Futuro

Mortes em quadrinhos não são lá uma novidade e, para desespero de Chicó, está longe de ser o destino inescapável, já que toda semana temos um herói se levantando dos mortos. Por outro lado, se a banalização da morte nas HQs e ressurreições desnecessárias podem irritar os leitores, há que se considerar que tais mudanças no status quo de algum personagem, por mais que sejam logo revertidas, geram histórias interessantes.

A queda do Superman trouxe a criação de Aço, Superciborge e Superboy; a “morte” de Batman frente à Darkseid levou a uma nova dupla dinâmica, formada por Dick Grayson e Damian Wayne, e um novo título mensal (Batman & Robin). A (milésima) morte de Jean Grey abriu espaço para Emma Frost, que é bem mais interessante que a considerada por muitos insossa Fênix, como nova protagonista feminina nos X-Men. E os exemplos são vários.

Com a morte de um membro do Quarteto Fantástico, e o fim o título mensal dos heróis na edição 589, uma nova equipe estréia em março, com o lançamento de FF #1, com textos de Jonathan Hickman (que continua em uma ótima fase). A Fundação Futuro, antes uma pequena iniciativa de Reed dentro do próprio Quarteto, que reunia várias crianças com poderes ou superdotadas (incluindo os filhos dos Richards, Franklin e Valéria), passa a ser o novo rosto da família, que conta com um novo membro, o “tio” Homem-Aranha.

A expectativa é que continuem as aventuras científicas com a Fundação, lembrando que os heróis raramente foram metidos à combater o crime. No Brasil, infelizmente, o Quarteto Fantástico é publicado pela Panini Comics dentro de Universo Marvel, que reúne vários títulos da Marvel, como o péssimo Hulk. É terrível que o leitor tenha que pagar o salgado preço de mais de R$ 16,o0 para ler as boas histórias do grupo.



 
05fev Felipe Pinheiro

O Dia Mais Claro

 

O Dia Mais Claro

“No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença…”. É assim que começa o juramento dos Lanternas Verdes. Com a chegada às bancas do oitavo e último número da saga A Noite Mais Densa, onde uma Guardiã renegada e o vilão Mão Negra se unem a Nekron e milhões de mortos para atacar os vivos no universo, a Panini Comics prepara o lançamento do próximo evento da DC: O Dia Mais Claro, decorrência direta dos eventos de A Noite (…).

The Brightest Day está sendo publicada nos Estados Unidos quinzenalmente, se alternando com Justice League: Generation Lost, reunindo a velha Liga de Keith Giffen contra um velho conhecido deles. No Brasil, O Dia Mais Claro #0 chega às bancas em março, trazendo o prólogo da maxissérie que terá 25 edições originais. No Brasil, serão 13 números.

A Panini, no entanto, não divulgou o preço da série, nem se Generation Lost integrará a revista (o que a deixaria com 100 páginas). Vale lembrar que 52 e Contagem Regressiva, duas séries semanais da DC Comics, foram publicadas no Brasil em dois volumes de 13 mensais, com 100 páginas.

O Dia Mais Claro reúne vários personagens da DC em uma trama onde todos tem missões específicas em suas vidas, que devem resultar na procura pelo novo protetor da Lanterna Branca. As várias tramas que se entrelaçam na série são escritas por Geoff Johns e Peter Tomasi (Tropa dos Lanternas Verdes), e conta com arte de Ivan Reis, Patrick Gleason, Ardian Syaf, Scott Clark, Joe Prado e Fernando Pasarin.



 
04fev Felipe Pinheiro

O Cerco

 

A Invasão Secreta, última megassaga da Marvel, só teve um ponto positivo: levou à editora o Reinado Sombrio, quando Normam Osborn (o antigo Duende Verde) formou uma cabala com inúmeros vilões, se tornou o chefe da Martelo, agência que substituiu a Shield como comando máximo da segurança norte-americana, criou um time de Vingadores formado por criminosos e passou a caçar os heróis (chegando a criar uma lista de heróis a serem presos/assassinados, como se viu nos especiais Reinado Sombrio: A Lista, publicados pela Panini Comics).

Neste mês, a Panini lança O Cerco – Prólogo, com 60 páginas, que reúne as edições originais Siege: The Cabal e Origins of Siege. Tantos vilões reunidos eram um convite à traição, e com o fim da Cabala e uma boa dose de manipulação de Loki, o deus das mentiras, Osborn dá início a seu mais ambicioso passo: um ataque à Asgard, cidade dos deuses nórdicos, como Thor, que está atualmente em território americano. Em março, é dado início a’O Cerco, minissérie em quatro partes com argumento de Brian Michael Bendis e arte de Oliver Coipel (Dinastia M).

Como Siege só teve quatro edições nos Estados Unidos, para ter revistas com mais de 25 páginas na minissérie (o padrão nesses casos é lançar revistas com, pelo menos, 50 páginas, adicionando histórias extras à história principal, que geralmente tem de 22 a 30 páginas), a Panini deve incluir outras histórias na minissérie. É provável que publique também Siege: Embedded, em que o jornalista Ben Urich acompanha os bastidores do cerco a Asgard. Em Invasão Secreta, a minissérie trazia também Urich, em Secret Invasion: Front Line.



 
30jan Felipe Pinheiro

Os Quadrinhistas brasileiros

 

Muitos são os que dizem que quadrinhos são uma expressão cultural que destoa no Brasil. Em parte, é verdade, mas só pelo preconceito e pela pouca extensão que os gibis alcançam em nosso país. Podemos mesmo indicar que super-heróis são fruto da cultura bélica e “liberal” (com muitas aspas) e que, embora consumida no mercado brasileiro, dificilmente encontra boas produções tupiniquins. Mas, enquanto veículo literário, os quadrinhos são apenas um formato, pelo qual se conta qualquer história

Existem certas histórias universais, envolvendo amor, alegria, perdas, ou arquétipos clássicos, que podem ser contadas por qualquer povo. Além do mais, os quadrinhos também podem ser um lugar interessante para se conhecer histórias bastante regionais. Os quadrinhistas brasileiros que conheciam seu público, que não tentaram apresentar histórias de uma cultura que não os pertencia ou que não tentaram enfiar goela abaixo de seus leitores um regionalismo exacerbado e desinteressante fizeram seu nome ao longo dos anos.

Vamos conhecer alguns desses autores, mas já avisando que não é lá um trabalho histórico detalhado (aliás, nem mesmo é um trabalho histórico). Alguns (vários) nomes podem não se fazer presentes e vocês tem toda a liberdade de completar a lista.

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