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Apenas em dois momentos este blog se posicionou sobre um filme (claro, ignorando-se expectativas, que temos, como todos os demais) mesmo antes de conferí-lo na íntegra. Ao tempo em que este que vos escreve (muito Bial?) se maravilha a cada nova informação de Onde Vivem os Monstros, a opinião foi geral em taxar desde pronto DragonBall: Evolution como possível candidato a pior filme do ano.

Esperamos acertar quanto ao filme de Spike Jonze, porque DB é pior ainda do que eu imaginava, sendo, certamente, o pior de um ano em que fomos “agraciados” por obras como The Spirit e Anjos da Noite: A Revelação.


Acaba Sessão da Tarde, musiquinha de banda de rock genérica, começa Malhação. O mocinho desajeitado quer ir pra cama com a mocinha (ou vocês acham que ele quer pegar em sua mão sob a luz da lua e recitar poemas?), mas apanha todos os dias dos valentões (camisas de futebol americano inclusas). Chega em casa e, como quem não quer nada, seu avô lhe avisa que vai lhe contar um segredo milenar no jantar, que ele perde para ir a uma festa e tentar “vocês sabem” com a mocinha.

Vilão e ajudante gostosa matam o velho. Mocinho encontra a gostosa do bem (está bem ao estilo “Os Mutantes”?) e um velho sensei, que desperta nele seus “conhecimentos ocultos” nas artes marciais (sim, porque aprender a lutar é coisa de boiolinhas como Daniel San). Porrada. Vilão perde. Inclua tinta verde e umas sete esferas que realizam todos os seus desejos e começamos a chegar perto dessa pérola da sétima arte. É mesmo tão ruim?

Dragon Ball é um dos animes mais controversos que já assisti. Para mim, a série terminou logo após Freeza ser derrotado, e o resto é como uma continuação nas mãos de George Lucas. Seus personagens passam a ficar desinteressantes, o roteiro vira uma coleção de clichês extremamente banais. As lutas ficam intermináveis e insuportáveis. É uma má adaptação de sí próprio, podemos dizer, sem respeitar seus próprios bons elementos.

Aqueles que lembram da minha crítica de Watchmen sabem que eu não acredito que a boa adaptação é aquela que copia integralmente a sua fonte. Apesar de ser a mesma história, são mídias diferentes, que devem passar emoções diferentes para seus espectadores. Ao passo de que um livro deve ser quase verborrágico ao apresentar seus cenários, a fotografia de um filme deve ser adequada para o mesmo.

No entanto, se a mesma história está sendo contada sob óticas diferentes, seus elementos básicos devem ser preservados. Batman, nos quadrinhos, rádio ou cinema, versa sobre o garoto atormentado pela perda dos pais que busca, quando homem, se tornar uma lenda urbana para combater os criminosos; O Alienista, nos livros ou na nona arte, é o conto do médico que não percebe o seu distanciamento, sua própria loucura, ao taxar todos os demais como insanos; Harry Potter traz um universo mágico e a passagem da infância para a maturidade, etc…

DB: Evolution segue ao mesmo caminho do restante da fase Z, ignorando os elementos que fazem de DB algo mais que um mero amontoado de brigas: perdeu-se a dubiedade de caráter de todos os personagens (pois todos têm falhas gritantes no anime), as piadas de humor negro e até mesmo picantes, cenários áridos, e por aí vai. Não há nada adaptado, e se o há, é pessimamente. As lutas, inventivas e indo do humor ao contemplativo, no anime, viram aqui uma coleção de efeitos especiais mequetrefes adicionados a coreografias burocráticas.

A história, de um garoto que, inocente, não percebe estar sendo usado por uma gananciosa garota (Bulma) na procura das esferas e que, aos poucos, toca a todos os personagens de caráter duvidoso que encontra, em sua “trilha do herói” (posso explicar o conceito da trilha outra hora, ok?), é transformada nesse arremedo de argumento de Malhação que você conferiu no início do post.

O elenco só ajuda a piorar a situação. Justin Chatwin transforma toda a inocência de Goku (que é uma criança, e posteriormente, um adulto, incapaz de perceber a maldade nas pessoas, mas não totalmente imbecil) em uma criatura acefala. Chow Yun-Fat está no automático, e tira todo o charme sacana e a excentricidade do Mestre Kame. O pior de todos é James Masters, cafona como o foi em Buffy, Angel e Smallville ele tem uma interpretação tão constrangedora quanto Dennis Hopper em Super Mario Bros.

O resultado final é um filme que falha miseravelmente como adaptação ou como produto independente, ultrapassando a barreira da vergonha alheia, em que ao menos uma risada sem graça é esboçada na exibição. Leiam o mangá ou assistam o anime desde sua fase inicial até o fim do primeiro arco da série Z e esperem pelo santo remake que um dia atingirá todos nós.