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As editoras americanas vivem de maxi-séries que vão revolucionar seu universo e, assim, caçar o dinheiro de seus leitores. No entanto, as promessas quase nunca são cumpridas e vemos mais do mesmo, com a qualidade sempre decrescente. Isto parecia estar ocorrendo com o próximo mega-evento da editora DC, Crise Final, que começará a ser publicado no Brasil neste mês de julho, especialmente com os terríveis Contagem Regressiva e Prelúdio para a Crise Final. Se a preparação para a série estava tão ruim, o que poderíamos esperar do produto final, mesmo com o dedo de Grant Morrison e J. G. Jones?

Felizmente, os fãs brasileiros podem respirar aliviados. Embora a editora americana não esteja em sua melhor fase, e muitas de suas séries principais vêm sofrendo com péssimas histórias, como a Liga da Justiça, muita coisa boa está surgindo e os núcleos de seus principais personagens, como Lanterna Verde, Batman e Superman, estão realmente sendo sacudidos, e isto com quase nenhuma relação com a tal Crise, que de Final não deve ter nada.

Em Superman 80, nas bancas já esta semana, o vilão Brainiac retorna reformulado, mas ao mesmo tempo o personagem lembra muito sua versão da Era de Ouro, com direito até a cidades engarrafadas. Este arco vai levar o herói diretamente à saga Nova Krypton, que não só prometeu como cumpriu e balançou o universo do herói como nem sua morte no início dos anos 90 o fez, só que com qualidade, desta vez. Em Batman, começa o arco Descançe em Paz, que culminará com a morte do Cavaleiro das Trevas e o surgimento de um novo Homem-Morcego. Embora as histórias da morte e da Batalha pelo Capuz tenham sido medianas, a nova fase do herói, que chega ao Brasil apenas em 2010 é ótima, e vale a pena acompanhar todo o desenrolar da história. Temos ainda o Lanterna Verde, com boas histórias há anos e que, cada vez mais, se aproxima da Noite Mais Densa.

Temos ainda a tal Crise (Final?). Embora não tenha sido o melhor trabalho de Morrison, a série se mantém em alta até sua última edição, quando sofre uma queda brusca, devido a interferência do Editor-Chefe da DC, Dan Didio, o mesmo que fez com que os prelúdios e contagens fossem tão horríveis. Mas o leitor pode contar com uma boa diversão, e contida, ao contrário da Invasão Secreta, da Marvel Comics, que se espalha por uma infinidade de títulos relacionados. Crise não se difundirá pelas mensais, tendo poucas mini-séries relacionadas, e todas melhores que a principal, inclusive.

Uma coisa é certa, no entanto: enquanto surgem tantos bons quadrinhos fugindo da temática de super-heróis, o leitor, cada vez com menos dinheiro, não precisa se prender aos homens de colantes coloridos, mas é sempre bom saber que há uma possibilidade de uma diversão com certa qualidade. É só não acreditar nas mentiras contadas pelas editoras e escolher o que ler sem compromissos com os grandes eventos.