
Coisa mais comum é culpar uma determinada mídia por causa de parte de seu conteúdo. Assim, temos aqueles que não gostam de cinema por causa dos filmes Hollywoodianos cheios de efeitos especiais e quase nenhum roteiro, mas que esquecem que é da mesma Hollywood que temos ótimas obras como Pequena Miss Sunshine, Dúvida, Star Trek ou 500 Dias com Ela.
Também temos aqueles que abominam a tv aberta, mas ignoram pequenas pérolas como Hoje é Dia de Maria ou A Grande Família. Por fim, temos aqueles que nunca encostaram a mão nos quadrinhos por detestarem os super-heróis e seus eternos clichês, mas que, provavelmente, nunca leram Asterix, as obras de Manara, Tex ou Y: O Último Homem.
Vítima dos constantes problemas dos quadrinhos do selo Vertigo no país, a obra de Brian K. Vaughan e Pia Guerra chega à sua terceira encarnação no Brasil, após ganhar dois encadernados luxosos pela Ópera Graphica e fazer parte de uma das revistas mensais da Pixel. Seguindo um dos modelos adotados nos Estados Unidos, Y foi lançado pela Panini Comics (a nova e, esperamos, duradoura casa da Vertigo e Wildstorm em terras tupiniquins) em um encadernado reunindo as cinco primeiras edições da série (que encerrou-se no maravilhoso número 60).
Assim, devemos ter cerca de 12 edições, que funcionam como pequenas temporadas de uma série. E é assim que Y se apresenta, um road movie em forma de série em forma de quadrinhos.
O jovem Yorick Brown e seu macaco, Ampersand (aquele símbolo de ligações em nomes como… bem… Zezé de Camargo & Luciano… foi embaraçoso) são os últimos machos, portadores do cromossomo Y, portanto, a sobreviverem a um inexplicável cataclisma que deixa as mulheres sozinhas em um novo e incontrolável mundo. Preocupado em reunir-se com sua namorada, na Austrália, o dublê de escapista deve antes ajudar a dra. Allison Mann a encontrar a cura, para que possam desenvolver uma nova geração de machos através de clonagem, ambos protegidos pela agente secreta 335.
Como um episódio piloto, o primeiro arco apresenta os personagens principais, os prováveis vilões (o grupo feminista e radical d’As Amazonas e uma líder militar israelense) além de intrigar o leitor com algumas prováveis causas para a praga, bem como para a sobrevivência de Yorick. No entanto, o mais fascinante é a forma como a sociedade é apresentada sem os homens, com a economia, segurança e política em frangalhos.
Mais do que qualquer indicação de que as mulheres não consigam se cuidar por conta própria (o que Vaughan logo afasta, ao apresentar um grande número de personagens femininas extremamente fortes e determinadas), Y: O Último Homem se apresenta como uma crítica à grande concentração de poder nas mãos dos homens, mesmo tantos anos após a revolução sexual.
Cheia de personagens cativantes, inúmeras referências à cultura pop e antiga, passando de Shakespeare (Yorick e sua irmã, Hero, tem nomes de personagens de suas peças, e suas personalidades lembram suas contrapartes vitorianas) ao Mágico de Oz e uma trama envolvente, Y é prato cheio para os fãs de Lost e outras séries. Embora há anos venha se arrastando um projeto de adaptação para os cinemas, encabeçado por Shia Labouf (Transformers), a telinha parece ser o caminho certo para a história, da mesma forma que The Walking Dead, de Robert Kirkman. Quem sabe alguma emissora não cria juízo na cabeça.
6 Responses to “Y: O Último Homem”
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Barao disse:
20/11/2009 às 22:45Tenho saudades dos tempos que eu baixava Y aqui :/
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Eduardo Bibiano disse:
21/11/2009 às 19:23Nossa essa foi uma das melhores hqs que já li, tomara que vire filme logo, daria uma trilogia bacana se bem filmada.
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Barao disse:
22/11/2009 às 13:53#fail
Eu baixava no Sedentário, não aqui, auhuhauhahua
É que eu acompanho os dois, daí falei merda
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Henrique disse:
22/11/2009 às 19:36Realmente Y é uma das melhores Hq’s que li e agora com a Panini publicando espero que chegue até o fim para poder tê-la em mãos. Agora sobre o filme sempre fico com o pé atras, espero que se o fizerem façam bem-feito e q seja bastante fiel.
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Eddie disse:
23/11/2009 às 4:36Eu fiquei muito feliz quando encontrei essa revista nas banca mas infelizemente não comprei por um motivo… Coragem!
Eu não tenho coragem de comprar uma série com começo, meio e fim, que eu não sei se sequer chegará até o fim. Tenho medo de gastar meu dinheiro e ficar com a obra pela metade. Já li sim, pelo scan e não me orgulho disso, e queria muito ter essa séria em mãos, mas as editoras brasileiras não inspiram coragem em seus leitores…
Falo isso por Preacher, Constantine e Bone (Que aliás, comprei a versão Omnibus Gringa). De que adianta uma obra tão boa se sequer sabemos se chegará ao fim. Vou esperar os encadernados ou correr atrás do meu preju nos sebos da vida…
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War disse:
25/11/2009 às 13:52Em todas as mídias temos o bom e o ruim, a graça está na descoberta do que é bom e que realmente nos impressiona.
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